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Em entrevista à TV Record nesta quinta-feira (1º/12), o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) comentou o pedido aceito pelo juiz Sérgio Moro para ser ministro da Justiça em seu governo.

De acordo com o militar da reserva, ele e o responsável pelas investigações da Operação Lava Jato no Paraná chegaram a um acordo de “100% em tudo”.

Disse também que a reação do juiz ao aceitar o convite parecia um “universitário recebendo o diploma”.

O presidente eleito indicou uma agenda de combate à corrupção e ao crime organizado em seu governo, sendo Moro, “um nome de peso”, o líder nesse papel. O novo ministeriável ficará responsável por nomear o segundo escalão do Ministério da Justiça e o chefe da Polícia Federal, por exemplo.

“Ele [Moro] está com muita vontade de levar avante sua agenda. Me deixou muito feliz porque uma das coisas que mais afligem a população brasileira é a corrupção, que ele vai atacar”, disse Bolsonaro à TV Record.

Nos próximos dias, Sérgio Moro deve entrar de férias para, só então, dar início ao processo de transição entre o governo Michel Temer (MDB) e Jair Bolsonaro (PSL). “Ele jurou dar a vida pela pátria”, acrescentou o presidente eleito.

Convite
Sérgio Moro aceitou nesta quinta-feira (1º/11) o convite feito pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), para comandar o superministério da Justiça. O futuro ministro justificou a escolha em nota divulgada após o encontro: “Consolidar os avanços contra o crime e a corrupção dos últimos anos e afastar riscos de retrocessos por um bem maior”.

Ele deixou o condomínio de Bolsonaro, no Rio de Janeiro, às 10h45, após cerca de 1h30 de reunião. Na saída, o magistrado chegou a ensaiar uma entrevista no local, mas, diante do tumulto, saiu sem dar declarações. Depois, divulgou nota que pode ser lida na íntegra:

Fui convidado pelo Sr. Presidente eleito para ser nomeado Ministro da Justiça e da Segurança Pública na próxima gestão. Após reunião pessoal na qual foram discutidas políticas para a pasta, aceitei o honrado convite. Fiz com certo pesar, pois terei que abandonar 22 anos de magistratura. No entanto, a perspectiva de implementar uma forte agenda anticorrupção e anticrime organizado, com respeito à Constituição, à lei e aos direitos, levaram-me a tomar esta decisão. Na prática, significa consolidar os avanços contra o crime e a corrupção dos últimos anos e afastar riscos de retrocessos por um bem maior. A Operação Lava Jato seguirá em Curitiba com os valorosos juízes locais. De todo modo, para evitar controvérsias desnecessárias, devo desde logo afastar-me de novas audiências. Na próxima semana, concederei entrevista coletiva com maiores detalhes.

Curitiba, 1º de novembro de 2018. Sérgio Fernando Moro”