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O presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), disse nesta quarta-feira (5/12) que a Fundação Nacional do Índio (Funai) irá para algum lugar, “onde o índio receberá o tratamento que merece”. A declaração foi feita após o militar da reserva ser questionado pela imprensa, no Quartel General do Exército, em Brasília, sobre o futuro da autarquia, já que ele tem afirmado que o órgão não estará mais sob os cuidados do Ministério da Justiça. A posição do futuro titular do Palácio do Planalto mostra uma divergência interna em sua equipe.

Em sua resposta, Bolsonaro não cravou se o deslocamento da Funai de fato ocorrerá. “O Moro está sobrecarregado. Não posso afirmar [se haverá mudança ou não]. Se eu afirmo e ela fica [na pasta da Justiça], vão dizer que eu voltei atrás”, destacou, ao falar, ainda, que não quer dar brechas para críticas.

Na ocasião, o presidente eleito voltou a dizer que não vai permitir que índios “continuem numa reserva, como se fossem animais em zoológico”. “Não quero isso. Quero que o índio seja tratado como cidadão. Eles querem se integrar à sociedade. Vou repetir aqui: índio quer energia elétrica, médico, dentista, internet, jogar futebol. Querem o que nós queremos”, ressaltou.

Sérgio Moro
Indicado a ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro disse, também nesta quarta, que a Funai poderá seguir vinculada ao Ministério da Justiça no próximo governo.

“Ainda está indefinido, pode ser até que fique no Ministério da Justiça, pode ser que saia. Está sendo discutido”, disse Sérgio Moro a jornalistas após almoçar no Centro Cultural Banco do Brasil.

Na segunda-feira (3), o ministro extraordinário da transição, Onyx Lorenzoni, afirmou que havia possibilidade de a Funai ser transferida para a pasta da Agricultura. No dia seguinte, Jair Bolsonaro, rebateu Onyx.

O futuro ministro da Cidadania, Osmar Terra (MDB-RS), também não descartou abrigar a Funai em sua pasta. Embora esteja “carregado de funções”, com a missão de controlar o Esporte, a Cultura e receber parte do ministério do Trabalho, Terra aceitaria a missão, embora discorde. Ele falou também que a Funai poderá ir para a Secretaria de Governo ou Direitos Humanos.

“Disse para o presidente e para o Onyx [Lorenzoni] que não tem problema se [Funai] vir para o nosso ministério. Estamos preparados caso venha. Agora, acho que pelo relevo que tem, tem que ser um ministério que tenha estrutura maior para se dedicar a isso especificamente”, opinou Terra.

“[Ir para o ministério do] Direitos Humanos é bom, pode ser bom. Tem vários lugares que pode ficar, até na Secretaria de Governo. Tem que ser um ministério que dê relevância ao tema. O meu está com muita coisa relevante“, completou.

A Secretaria de Governo, com status de ministério, ficará a cargo do general Carlos Alberto dos Santos Cruz. Já a pasta de Direitos Humanos ainda não teve um nome indicado, assim como a do Meio Ambiente.