Bolsonaro estuda sancionar medida que garante bagagem gratuita em voos

Presidente tem até segunda-feira para definir o que irá fazer com a medida. Capitão da reserva assumiu problemas na articulação parlamentar

Marcos Corrêa/PRMarcos Corrêa/PR

atualizado 14/06/2019 14:11

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) disse, nesta sexta-feira (14/06/2019), que ainda está avaliando se vai sancionar a medida que garante bagagens gratuitas em voos no Brasil. Após café da manhã com jornalistas, ele disse que politicamente, a medida é importante, mas destacou considerar as consequências econômicas da decisão.

“É politicamente melhor sancionar. Mas é economicamente melhor vetar”, afirmou. Na ocasião, ele comentou que uma das saídas é sancionar o texto da forma que recebeu pelo Congresso Nacional e editar uma nova medida provisória com uma regra específica para viagens de baixo custo. O presidente tem até segunda-feira (17/06/2019) para decidir o veto.

Sobre outros assuntos que estão em trâmite no Congresso Nacional, como a reforma da Previdência, Bolsonaro disse que foi preciso ceder em algumas das bases do texto encaminhado pelo Executivo para conseguir aprovar o texto com urgência. “Sem forças, a gente não aprova nada. Temos que ceder pra aprovar, mas dentro do mínimo possível”, disse.

Sobre as críticas a respeito da sua forma de articulação com o Congresso Nacional, ele disse que seu governo tem feito um bom trabalho, mas admitiu as dificuldades com os parlamentares. “O PSL é pequeno ainda, está se estruturando”, completou.

O presidente Jair Bolsonaro recebeu, na manhã desta sexta-feira (14/06/2019), jornalistas que cobrem o dia-a-dia do Palácio do Planalto como setoristas para café da manhã. O Metrópoles estava entre os meios de comunicação convidados.

“Piadas de mau tom”
O presidente brincou, durante a confraternização, dizendo que não teme a invasão de um hacker aos seus telefones porque, se isso ocorresse, o que viria à tona seriam “brincadeiras que podem ser consideradas de mau tom”. “Ninguém pode mais brincar neste Brasil”, reclamou o presidente.

Bolsonaro disse que se reuniu com o diretor da Polícia Federal, Marcelo Leite Valeixo, para pedir rigor nas apurações dos vazamentos de mensagens trocadas entre o ministro Sergio Moro e o coordenador da força tarefa da Lava Jato, Deltan Dallagnol. “Esse tipo de crime deve ser investigado porque pode gerar complicações na vida pessoal”, disse o presidente, citando o caso de um homem que vai a um motel com outra pessoa e é casado.  “A única forma de se comunicar com segurança é pessoalmente. Não tenho nenhum problema, estou muito bem casado”, destacou.

Ao falar sobre a possibilidade de saída de Moro do governo, o presidente disse que este assunto não foi cogitado. “Ele não falou e nem eu pensei em falar isso com ele. Confio no Moro”, disse.

O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno contou que todos os ministros recebem, ao assumirem seus cargos, um celular com uma criptografia mais avançada, referindo-se aos aparelhos preparados com a chamada “criptografia de Estado”. Isso significa um código muito mais embaralhado que os utilizados em celulares normais.

No entanto, os ministros acabam não utilizando este aparelho devido a “limitações” do sistema. “Em uma semana os ministros desistem”, ressaltou Heleno. O ministro saiu em defesa do colega da Justiça: “O Moro não deve nada, pode vasculhar. Em minha modesta opinião, a conversa do Moro é banal”, observou.

O presidente Jair Bolsonaro recebeu, na manhã desta sexta-feira (14/06/2019), jornalistas que cobrem o dia-a-dia do Palácio do Planalto como setoristas. O Metrópoles estava entre os meios de comunicação convidados. No último encontro com profissionais de mídia, o jornal também estava entre os convidados.

“Canalha”
Sobre os questionamentos levantados por Lula a respeito da veracidade da facada que ele sofreu durante a campanha, Bolsonaro reagiu: “Não tenho que dar explicações sobre esse sujeito. Uma facada na barriga do Lula só sairia muita cachaça”. Na sequência, Bolsonaro questionou os jornalistas: “Alguém acha que eu teria dinheiro e influência para inventar uma coisa dessas?”,

Neste momento, o chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno também entrou na defesa do presidente, de forma aguerrida. Batendo com as mãos na mesa disse: “É uma canalhice desse sujeito. Não mereceu o cargo. A Presidência da República é uma instituição sagrada”. Na sequência, defendeu a “prisão perpétua” para Lula.

Heleno rebateu a dúvida dizendo que quando Lula e Dilma anunciaram que estavam doentes, com câncer, ninguém duvidou e por isso eles não deveriam fazer este tipo de ilação.

O presidente Jair Bolsonaro recebeu, na manhã desta sexta-feira (14/06/2019), jornalistas que cobrem o dia-a-dia do Palácio do Planalto como setoristas. O Metrópoles estava entre os meios de comunicação convidados. No último encontro com profissionais de mídia, o jornal também estava entre os convidados.

Demissão
O presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), anunciou ainda, no café da manhã, a demissão do atual presidente dos Correios, general Juarez Aparecido de Paula Cunha. Segundo o presidente, o cargo de Cunha chegou a ser oferecido ao general Carlos Alberto dos Santos Cruz, demitido da Secretaria-Geral da Presidência da República, na quinta-feira (14/06/2019).

Bolsonaro evitou falar sobre os motivos da demissão de Santos Cruz. Ele recorreu à metáfora do do casamento para falar sobre o ex-ministro. “Foi uma separação amigável. Ele continua no meu coração”, disse o presidente em café da manhã, com jornalistas.

O presidente informou que ofereceu outros cargos dentro do governo ao general, inclusive o de presidente dos Correios, mas Santos Cruz não demonstrou vontade de permanecer.

O ex-ministro era contra o investimento forte de recursos na principal pauta do governo até o momento: a reforma da Previdência. Isso contrariava o ministro da Economia, Paulo Guedes que tem defendido um engajamento mais aguerrido do Planalto à reforma. Além de Guedes, o secretário de comunicação, Fábio Wejngarten, que era subordinado a Santos Crus , defende o aumento das verbas publicitárias para meios de comunicação e redes sociais com foco na reforma.

Decisão do STF
Jair Bolsonaro (PSL), criticou, na mesma ocasião, a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de criminalizar a homofobia, equiparando-a ao crime de racismo. Para o presidente, a decisão, tomada pelo placar por 8 a 3 na tarde de quinta-feira (13/06/2019), é um equívoco.

“A decisão é equivocada. Ela prejudica o homossexual”, argumentou o presidente, ao defender a tese de que a decisão dos ministros cria, na realidade, uma discriminação. “Está se tornando insuportável o Brasil por conta dessas questões”, prosseguiu o presidente.

Ele usou de ironia para defender uma posição contrária à tomada pelo Supremo. “Agora, e você ofendeu uma pessoa, deu uma facada, só porque é gay, tem que ser agravada”, ironizou. Em setembro do ano passado, ainda durante a campanha presidencial, Bolsonaro foi atacado com uma facada.

O presidente ainda citou como exemplo uma conversa que teve com o apresentador Danilo Gentili, que não divulgada. Na conversa, Bolsonaro disse: “Danilo, olhando para você, eu sei se você é amarelo ou branco, mas não sei se você é gay”, observou o presidente. Na sequência, ele defendeu mais uma vez a necessidade de se ter no STF um ministro evangélico.

“Não é uma mistura de política com religião, mas não custa nada”, disse Bolsonaro. O presidente argumentou que, por conta de questões como esta da homofobia, que envolve costumes, há a necessidade de um ministro religioso.

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