Bolsonaro formaliza desfiliação do PSL e está sem partido

Saída oficial do presidente do partido pelo qual se elegeu foi definida dois antes da convenção da nova sigla, a Aliança pelo Brasil

Foto: Hugo Barreto/MetrópolesFoto: Hugo Barreto/Metrópoles

atualizado 19/11/2019 16:45

O presidente Jair Bolsonaro assinou na tarde desta terça-feira (19/11/2019), durante uma reunião com os advogados Admar Gonzaga e Karina Kufa no Palácio do Planalto, a desfiliação do PSL. A oficialização deve ser concluída ainda hoje na Justiça Eleitoral.

O mandatário do país deixa o partido para a criação da sigla Aliança pelo Brasil. Uma convenção marcada para a próxima quinta-feira (21/11/2019), em Brasília, será o primeiro passo para a criação da legenda.

Os advogados disseram que, juridicamente, Bolsonaro está apto para ocupar a presidência do novo partido.

Debandada de deputados
Ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Admar Gonzaga descarta perda de mandato de deputados que pretendem migrar do PSL para o Aliança. “A justa causa é apenas para sair do partido e se filiar ao outro, mais nada. Sem risco nenhum para o mandato. Já não há risco nenhum para o mandato. As barbaridades que foram cometidas são inúmeras: falta de transparência, ameaça de expulsão, destituição de cargos de comissão”, argumentou.

A equipe jurídica de Bolsonaro evitou divulgar detalhes sobre a estratégia estudada para a coleta de assinaturas, que também será definida nesta semana. Para que o partido concorra nas eleições municipais de 2020, é preciso correr contra o tempo e apresentar à Justiça Eleitoral quase 500 mil manifestações de apoio formais, assinadas, vindas de nove estados do país.

“Vocês não têm ideia da avalanche de apoiamentos que temos recebido de pessoas querendo se engajar. É uma coisa emocionante. Estamos convictos de que faremos um grande trabalho. Agora, nem tudo depende de nós. Nós temos meios para fazer em 140 dias”, afirmou o advogado.

A crise
A crise entre o presidente e o PSL – que rachou no meio a bancada na Câmara – foi escancarada em 8 de outubro deste ano, quando, ao ser filmado por um pré-candidato a prefeito de Recife (PE) que buscava o seu apoio, Bolsonaro ficou impaciente e disse: “Esquece o PSL, tá ok? Esquece”.

Diante da insistência do apoiador, que seguiu filmando e citou o presidente da sigla, o deputado federal Luciano Bivar (PSL-PE), Bolsonaro foi mais incisivo: “Não divulga isso não. O cara [Bivar] está queimado para caramba lá. Vai queimar o meu filme. Esquece esse cara, esquece o partido!”, disse, sem se preocupar por estar sendo filmado por outras pessoas.

Desde então, Bolsonaro  avaliava possibilidades para sair do partido e levar a ala da bancada que o apoia. Como foi eleito para cargo majoritário, ele pode sair sem medo de ser enquadrado por infidelidade partidária, mas o mesmo não ocorre com parlamentares. A solução encontrada, então, foi a criação de um novo partido.

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