Bolsonaro após viagem de mulher de ministro na FAB: “Nada de mais”

O presidente disse que conversará com Ernesto Araújo para verificar se houve irregularidades. Cartilha do governo proíbe a prática

Michael Melo/MetrópolesMichael Melo/Metrópoles

atualizado 03/09/2019 15:07

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) disse que vai conversar com o ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo, sobre a denúncia de que a mulher dele, Maria Eduarda de Seixas Corrêa, teria viajado a Paris, de férias, em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB). Ela também é diplomata e trabalha como chefe da Divisão de Treinamento e Aperfeiçoamento do Itamaraty.

Para o chefe do Executivo federal, a princípio, não há nada de irregular em dar uma carona para a mulher do ministro. “Não tive conhecimento disso aí. Não tem nada de mais levar alguém. Mas se tiver alguma irregularidade, vou conversar com ele”, pontuou Bolsonaro nesta terça-feira (03/09/2019).

O titular do Palácio do Planalto lembrou as críticas quando familiares dele pegaram um helicóptero da FAB no Rio de Janeiro para ir ao casamento de Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). “Minhas irmãs indo com helicóptero ao casamento no Rio. Já ia gastar mesmo comigo, não vejo problema em levar”, frisou o mandatário do país. “Outras pessoas tenho levado também de carona”, enfatizou.

A mulher do ministro teria aproveitado a viagem do chanceler brasileiro à capital francesa entre os dias 20 e 25 de maio deste ano para viajar e se hospedar na cidade. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.

Na época, Araújo participou de um encontro da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), com hospedagem no Hotel Bedford, localizado no centro histórico de Paris, custeada pelo governo brasileiro. Além da rodada de reuniões, o ministro compareceu a um encontro da Organização Mundial do Comércio (OMC) e realizou uma agenda bilateral com o chanceler francês, Jean-Yves Le Drian.

O Decreto nº 4.244/2002, que dispõe sobre os voos da FAB, permite o uso da frota “somente” para o transporte de vice-presidente, ministros de Estado, chefes dos três poderes e das Forças Armadas, salvo nos casos em que há autorização especial do ministro da Defesa. A norma não autoriza o embarque de pessoas sem cargo ou função pública.

Além do decreto, há uma cartilha distribuída por Bolsonaro com normas e procedimentos éticos que estabelece o uso da aeronave somente para ministro e a equipe que o acompanha no compromisso.

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