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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso falou nesta segunda-feira (2/4), durante Fórum da Organização das Nações Unidas sobre Segurança Humana, em São Paulo, que agentes públicos, empresários e políticos firmaram “pacto oligárquico de saque ao Estado brasileiro”.

O magistrado fez o pronunciamento ainda em meio ao impacto da Operação Skala, deflagrada pela Polícia Federal, por ordem de Barroso, na quinta-feira (29). A ação prendeu amigos e antigos aliados do presidente Michel Temer (MDB), como o advogado e empresário José Yunes e o coronel da reserva da PM João Batista Lima Filho.

Ainda no evento da ONU, Barroso defendeu a ideia de que “talvez, até hoje”, exista um “modelo padrão de fazer política e negócios” no Brasil mergulhado em corrupção e superfaturamento de contratos públicos.

“O agente político relevante indicava o dirigente de ministério ou da empresa estatal com metas de desvio de dinheiro. O dirigente da empresa estatal contratava por licitação fraudada a empresa a ser parceira no esquema de desvio de dinheiro. A empresa parceira superfaturava os preços para gerar o excedente de caixa a ser distribuído para o agente político que nomeou o dirigente estatal e seus correligionários”, citou o ministro.

Segundo a análise de Barroso, foi celebrado “de longa data, e com renovação constante, pacto oligárquico de saque ao Estado brasileiro” entre partes das classes política e empresarial e da burocracia estatal. “O fenômeno não é novo, mas a percepção dele é mais recente e muito aguda”, assinalou.

“O Brasil, nos últimos tempos, se deu conta de que nós vivenciávamos uma corrupção sistêmica, endêmica. Não era produto de falhas individuais, de pequenas fraquezas humanas, e sim o programa, um modo de conduzir o país com um nível de contágio espantoso, envolvendo empresas públicas, privadas, agentes públicos, privados, membros do Congresso, do Executivo, da iniciativa privada”, disse.

Barroso, no entanto, vê o país reagindo. “Nós estamos fazendo um esforço no Brasil para tomá-lo das mãos das elites extrativistas e devolvê-lo à sociedade a fim de que as pessoas se sintam livres, iguais, participantes, e possam confiar umas nas outras”, destacou. De acordo com o magistrado, a corrupção “atrasa o processo de distribuição de renda”, “prejudica a qualidade dos serviços públicos” e “faz a vida ser pior”.

 

 

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