Ativista do Nas Ruas divulgou telefone de Bebianno pelo Whatsapp. Veja

Thiago Rocha é ligado à deputada Carla Zambelli (PSL-SP), que disse ser contra a divulgação feita pelo seu colega de movimento

José Cruz/Agência BrasilJosé Cruz/Agência Brasil

atualizado 18/02/2019 18:35

Um dos responsáveis por divulgar o telefone do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, pivô da crise que afeta o governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL), é o ativista político de direita Thiago Rocha. Desde 2013, ele ajuda na organização de manifestações do movimento Nas Ruas.

Em pelo menos dois grupos de Whatsapp, Thiago encaminhou o contato de Bebianno. Em uma das mensagens, ele alerta que o telefone é para as pessoas mandarem um “recado de boa sorte”. Os posts foram encaminhados para os grupos Direita no Congresso e Rua Brasil DF/Bolsonaro.

Thiago confirmou ao Metrópoles que divulgou o número, mas disse que seu intuito não era promover ataques ao ministro. “Fiz uma crítica a ele, como já fiz a várias pessoas. As pessoas têm consciência, podem fazer crítica, vivemos numa democracia e isso faz parte do processo”, argumentou, por telefone.

Para o ativista político, não há problema em autoridades públicas terem os contatos pessoais divulgados. “Isso sempre acontece. O da [senadora] Kátia Abreu vazou. Isso é mais que normal. Até porque as pessoas podem ligar nos gabinetes e pegarem”, disse. Ele ressalta que não tem laços políticos. Thiago, segundo consulta no portal do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), não é filiado a nenhum partido.

Entre as mensagens enviadas por Thiago está o print de uma para o ministro: “Bye bye, Bebianno, e boa sorte em sua nova trajetória”. As mensagens foram publicadas entre as 16h06 e 16h15 do último domingo (17/2).

Fogo amigo
O movimento Nas Ruas, criado em 2011, é liderado pela deputada Carla Zambelli (PSL-SP) e se intitula um grupo de combate à corrupção. A parlamentar confirmou conhecer Thiago e que ele já a ajudou a organizar manifestações em Brasília, como as ocorridas a favor do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2015. “O conheço, mas não sabia que havia divulgado [o telefone]”, resumiu.

Tanto Zambelli quanto o movimento apoiaram a campanha de Bolsonaro e, consequentemente, do PSL. Na época, Bebianno era presidente da sigla.

Carla diz não apoiar esse tipo de investida. “Nunca divulguei o telefone de ninguém. Gostaria que agissem comigo da mesma forma que faço com os outros. Não teria problemas em ter meu telefone compartilhado, não devo nada ninguém”, ponderou.

Até a última atualização desta reportagem, o ministro Bebianno e o Palácio do Planalto não haviam comentado o caso.

Ameaças
Nome central da crise que afeta o governo do presidente Jair Bolsonaro, Bebianno denunciou nesta segunda-feira (18/2) que tem sofrido ataques. A informação foi revelada pela colunista Mônica Bergamo, do jornal Folha de S.Paulo.

Desde domingo (17), o ministro diz receber ameaças, sendo algumas de morte. Bebianno, segundo a reportagem, contou a dois amigos sobre as investidas e estuda levar o caso às autoridades. A principal suspeita é que as mensagens tenham sido enviadas por apoiadores de Bolsonaro. “Não tenho medo de briga. Não me intimidam”, rebateu, ao portal UOL.

Bebianno é acusado de montar um esquema de candidaturas laranjas nas eleições presidenciais de 2018, quando ainda era dirigente interino do PSL. A possível fraude gerou um mal-estar no governo e pode lhe custar o cargo de ministro. A expectativa é que o Palácio do Planalto publique a demissão dele no Diário Oficial da União ainda nesta segunda.

O ministro foi procurado pela reportagem e informou que não iria se manifestar a respeito do assunto por enquanto.

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