Após vazamentos da Lava Jato, Moro cancela ida ao congresso da Abraji

Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo criticou o ministro pelas declarações de que o Intercept é aliado de "hackers criminosos"

Rafaela Felicciano/MetrópolesRafaela Felicciano/Metrópoles

atualizado 19/06/2019 20:46

Após as revelações feitas pelo site The Intercept a respeito de mensagens trocadas entre o então juiz responsável pelos casos da Lava Jato, Sergio Moro, e procuradores da Força-Tarefa da operação, especialmente o coordenador Deltan Dallagnol, o ministro da Justiça e Segurança Pública desistiu de participar do 14º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji).

A informação é da própria Abraji, em seu Twitter:

Moro seria entrevistado, ao vivo, no dia 28 de junho, no painel “Segurança Pública e Direitos Humanos”, no campus Vila Olímpia da Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo.

As relações entre o ministro e a Abraji se tensionaram nesta quarta-feira (19/06/2019), após a associação divulgar nota de repúdio às críticas de Moro e de parlamentares ao trabalho dos jornalistas do Intercept. O titular da Justiça chamou a publicação de “site aliado a hackers criminosos”.

Ameaças
A nota critica ainda as ameaças de deportação do fundador do site, Glenn Greenwald, feitas pelo deputado federal Carlos Jordy (PSL-RJ), bem como as montagens de fotos divulgadas na internet pelos deputados do PSL, Heitor Freire (CE) e Charlles Evangelista (MG), e suas “afirmações falsas de que David Miranda (casado com o fundador do Intercept) é acusado de terrorismo e condenado por crime contra a segurança do Reino Unido”.

“Trata-se de uma manifestação preocupante de um ministro que já deu diversas declarações públicas de respeito ao papel da imprensa e à liberdade de expressão”, afirma o comunicado da Abraji.

“Moro, que é um dos convidados do 14º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, que a Abraji realizará de 27 a 29 de junho, erra ao insinuar que um veículo é cúmplice de crime ao divulgar informações de interesse público. O Intercept alega que recebeu de uma fonte anônima mensagens privadas de Moro e de procuradores da Lava Jato. Jornalistas e veículos não são responsáveis pela forma como a fonte obtém as informações”, diz a associação. (Com informações do Estadão)

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