*
 

O pré-candidato do PDT à Presidência, Ciro Gomes, tenta contornar o mal-estar causado em virtude de declarações dadas por ele. Segundo o pedetista, uma ampla aliança em torno de seu nome pode até incluir o DEM e o PP, partidos de centro-direita, desde que antes seja fechado acordo com o PSB e o PCdoB para garantir a “hegemonia moral e intelectual” da chapa.

O comentário foi feito na sexta-feira (8/6), em Buenos Aires – onde ele foi recebido pela vice-presidente da Argentina, Gabriela Michetti –, e provocou curto-circuito político. O clima esquentou porque, com a esperada desistência do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), de concorrer ao Palácio do Planalto, o DEM e o PP estão justamente inclinados a apoiar a candidatura de Ciro.

A cúpula dos dois partidos, porém, não escondeu a irritação com a fala do ex-ministro. Nos bastidores, a leitura foi a de que, com a ressalva feita por Ciro, as siglas seriam um apêndice de segunda linha em uma eventual dobradinha.

Para conter o princípio de crise, o ex-governador do Ceará Cid Gomes – irmão de Ciro – telefonou para dirigentes do DEM e do PP e procurou jogar água na fervura, sob o argumento de que tudo não passou de um mal-entendido. Cid desembarcará primeiro em Brasília. Nos próximos dias, terá conversas reservadas com políticos das duas legendas. A reunião de Ciro com eles será logo depois.

“Nesse primeiro momento, minha prioridade são o PSB e o PCdoB. Se esta aliança se faz, posso avançar em partidos do centro à direita, porque a hegemonia moral e intelectual do rumo estará afirmada. Poderia incluir o PP e o DEM, desde que eu tenha o PSB e o PCdoB”, afirmou Ciro em Buenos Aires, na sexta-feira, quando questionado por jornalistas sobre a possibilidade de coligação com o DEM de Rodrigo Maia e o PP do senador Ciro Nogueira (PI).

Com porcentuais variando entre 1% e 2% nas pesquisas de intenção de voto, Maia já disse a interlocutores que vai desistir de sua candidatura ao Planalto e disputar novo mandato. Na prática, toda a estratégia do deputado é voltada para a construção de uma sólida base suprapartidária que permita a sua reeleição ao comando da Câmara. Nessa empreitada, Maia conta com a adesão de Ciro Nogueira, presidente do PP e, se avalizar a campanha do PDT, também exigirá como contrapartida o apoio na briga pela presidência da Câmara, em 2019.

Há no DEM quem pregue uma aliança com o pré-candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, hoje estagnado nas pesquisas. Em recente entrevista, Maia disse que o tradicional casamento entre o seu partido e o PSDB está perto do fim. A portas fechadas, no entanto, líderes das duas legendas argumentam ser preciso esperar mais um mês para o fechamento de qualquer acordo, tendo em vista o cenário eleitoral – ainda muito indefinido.

Defensor do aval do PSB a Alckmin, o governador de São Paulo, Márcio França, concordou que será muito difícil para o partido tomar uma decisão antes de julho. “A disputa vai ser voto a voto na convenção, mas também pode haver neutralidade”, ponderou ele. Além de Ciro, que precisa do PSB para aumentar o seu tempo no horário eleitoral de TV, a partir de agosto, o PT também negocia a união com os socialistas, mesmo que para isso tenha de sacrificar a candidatura da vereadora petista Marília Arraes, em Pernambuco.