Análise: suspeitas graves rondam a turma de Bolsonaro na Justiça

Ricardo Salles, Álvaro Antônio, dirigente do partido e filho do presidente têm pendências nos tribunais por atos pregressos

Andre Borges/Esp. MetrópolesAndre Borges/Esp. Metrópoles

atualizado 24/11/2019 13:49

Os seguidores do presidente Jair Bolsonaro gostam de dizer que não existe um único caso de corrupção no governo. Com esse discurso, contrapõem-se às denúncias que assolaram as administrações petistas.

Onze meses depois de iniciada a atual gestão, de fato, ainda não surgiram denúncias contundentes sobre atos praticados nos cargos pela atual equipe. Mas integrantes da turma do capitão respondem na Justiça por suspeitas relacionadas a denúncias sobre desvios de dinheiro público.

Na segunda-feira (18/11/2019), o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, teve o sigilo fiscal quebrado pela 10ª Câmara de Direito Público de São Paulo por suspeita de enriquecimento ilícito. As investigações focam o aumento de R$ 1,4 milhão para R$ 8,8 milhões entre 2012 e 2018.

Soube-se na última semana que, em setembro, o Ministério Público do Rio de Janeiro abriu novas investigações para apurar as denúncias sobre o gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro, filho do presidente, na Assembleia Legislativa do estado. O caso se refere a suspeitas de práticas de “rachadinha” e funcionários fantasmas.

Também na última semana, o advogado Luís Felipe Belmonte foi indicado para a 2ª vice-presidência da Aliança pelo Brasil (APB), partido lançado pelo presidente na quinta-feira (21/11/2019). Conforme noticiou o jornal O Globo, o cidadão foi denunciado em maio de 2017 pela Procuradoria-Geral da República sob a acusação de ter pago propina a um desembargador de Rondônia.

Recorde-se ainda de que o Ministério Público de Minas Gerais denunciou o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, por crimes relacionados a candidaturas laranjas do PSL em Minas Gerais.

Embora todos os acusados neguem irregularidades em seus atos, esses casos ainda pesam contra eles e põem em dúvida a propalada pureza ética dos aliados de Bolsonaro. Deve-se ainda lembrar que os principais escândalos de governos anteriores surgiram a partir do final do primeiro ano no poder.

Os fatos que derrubaram o presidente Fernando Collor de Mello explodiram no início do terceiro ano de mandato. O mensalão atingiu o governo de Luiz Inácio Lula da Silva também depois de dois anos no cargo.

Com esse histórico – e com nomes suspeitos em torno do presidente – talvez ainda seja cedo para os seguidores de Bolsonaro colocarem as mãos no fogo por esta turma.

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