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Pré-candidato à Presidência da República pelo PSDB, Geraldo Alckmin renunciou ao governo de São Paulo após sete anos e três meses consecutivos no cargo – no total foram mais de 13 -, sem cumprir promessas feitas ainda na campanha de 2010. Os cronogramas anunciados de obras revelam atrasos mesmo nos projetos considerados vitrines e que a partir de agora vão virar bandeira eleitoral, como a expansão do metrô na capital, a produção de vacinas para combater a dengue em todo o Brasil e a conclusão do Rodoanel.

Nos últimas semanas, o governo Alckmin passou a veicular anúncios publicitários que sinalizam a estratégia de usar programas desenvolvidos em São Paulo como soluções para demais estados brasileiros, especialmente nas áreas de mobilidade, segurança pública, educação, saúde e geração de empregos a partir de projetos com a iniciativa privada.

Porém, a demora na conclusão de linhas de metrô e do Rodoanel, por exemplo, deixou as obras mais caras e postergou o acesso da população a serviços que já deveriam estar sendo prestados. Prometido ainda pelo ex-governador Mário Covas, o Rodoanel é o projeto mais antigo do PSDB em São Paulo. No comando do estado há quase 24 anos (com só uma interrupção de nove meses em 2006), o partido sai do Palácio dos Bandeirantes sem concluir a obra, que ao longo dos anos ficou 168% mais cara.

Os números do metrô também crescem a passos lentos. Na campanha de 2010, Alckmin havia prometido construir 30 km em 4 anos, extensão que ele não vai conseguir entregar em quase dois mandatos inteiros. Quando assumiu em 2011, a rede tinha 68,3 km e agora, cerca de 89,8 km. A previsão é que ao final de 2018, chegue a 102,4 km, ou seja, uma ampliação de 34,1 km, mas em oito anos.

Segurança hídrica
Na área de saneamento, o tucano foi mais bem sucedido no que diz respeito ao abastecimento de água. Após ter enfrentado uma grave crise de abastecimento na Grande São Paulo entre 2014 e 2015, com racionamento velado, Alckmin entregou, mesmo com atraso, duas grandes obras que aumentam a segurança hídrica na Região Metropolitana: o Sistema São Lourenço e a transposição de água do Paraíba do Sul para o Sistema Cantareira

O tema “água” é prioritário para o tucano no Nordeste, que historicamente enfrenta seca e racionamento. Para atrair voto na região, Alckmin já se declarou favorável à realização, pelo governo federal, de outra transposição, a do Rio Tocantins. E, com o intuito de se projetar para fora dos limites paulistas, emprestou, via Sabesp, bombas para captar água em reservatórios com nível baixo, o chamado volume morto. A ação contemplou Paraíba, Pernambuco, Ceará e Distrito Federal.

Mas quando o balanço é sobre coleta e tratamento de esgoto, os dados não revelam significativa evolução. Em 2011, o índice de coleta de esgoto da Sabesp era de 81% e o tratamento de 75%. Após oito anos, a coleta subiu ligeiramente para 83% e o tratamento ficou estagnado.

Educação e saúde
Após 13 anos não consecutivos no comando do estado, dados do Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp) apontam que, embora a rede tenha avançado nos anos iniciais do ensino fundamental, há uma estagnação no ensino médio registrada na gestão Alckmin, além de dificuldades orçamentárias para custear as universidades públicas paulistas, como a USP.

Na saúde, a gestão Alckmin conseguiu aumentar o acesso à assistência por meio da entrega de 48 novos serviços nos últimos sete anos e da criação de programas como o Mulheres de Peito, que oferece mamografias sem a necessidade de encaminhamento médico.

A promessa na área que mais interessava a Alckmin para usar como bandeira, porém, a produção de uma vacina contra a dengue, está atrasada. Todo o processo deveria ficar pronto neste ano, mas os estudos do Instituto Butantã ainda não foram finalizados.

De acordo com o secretário da Saúde de Alckmin, David Uip, as pesquisas prosseguem, mas atrasaram porque, nos últimos anos, o número de casos da doença caiu drasticamente. Sem a circulação maciça do vírus, fica mais difícil testar a imunidade dos participantes da pesquisa, observou Uip.

Crise econômica
Alckmin ressaltou nos últimos dias de seu governo que os atrasos citados na conclusão de obras se devem à crise econômica enfrentada no Brasil desde 2014. Segundo o governador, apesar da queda registrada na receita – mais de R$ 30 bilhões de lá pra cá -, São Paulo foi um dos poucos estados a manter investimentos e alcançar superávit primário anual.

Na comparação com o restante do país, o tucano costuma dizer que os resultados de São Paulo indicam que seu governo tem o que mostrar e como resolver boa parte das demandas nacionais.

Em seu discurso de despedida, na sexta-feira, Alckmin afirmou ter a convicção de ter realizado muito mais do que prometeu. “Ainda mais porque atravessamos a maior crise que o Brasil enfrentou nas últimas décadas. Governamos com realismo, serenidade e de maneira austera, o que é motivo de orgulho.”