Polícia responsabiliza motorista de ônibus por tragédia de Taguaí (SP)

Peritos não identificaram falha nos freios do ônibus envolvido em acidente que deixou 42 mortos, em novembro de 2020, no interior de SP

atualizado 22/02/2021 15:04

Grave acidente entre um ônibus e um caminhão provocou ao menos 40 mortes e deixou outras 12 pessoas gravemente feridas na manhã desta quarta-feira (25), na Rodovia Alfredo de Oliveira Carvalho, entre Taguaí e Taquarituba, na região de Avaré, no interior de São Paulo.ADEMILSON TICO/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

A investigação sobre o acidente entre ônibus e caminhão que deixou 42 mortos em uma rodovia de Taguaí (SP), em 25 de novembro do ano passado, não identificou falha nos freios do ônibus envolvido na tragédia. O laudo foi divulgado em reportagem do Fantástico, da TV Globo, exibida no domingo (21/2).

Segundo a reportagem, peritos do Instituto de Criminalística de São Paulo também não encontraram buracos ou deformações que pudessem ter provocado o acidente na rodovia Alfredo de Oliveira Carvalho.

A delegada responsável pela investigação afirmou a TV Globo que “houve uma ultrapassagem em local proibido”, o que teria sido “uma ação deliberada do motorista”.

Veja quem são algumas das vítimas do acidente que deixou 42 mortos em São Paulo:

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O acidente ocorrido no interior de São Paulo é o maior no Brasil desde 2015 e o sexto maior da história do país. Os óbitos aconteceram depois que um ônibus transportando funcionários de uma empresa têxtil colidiu com um caminhão na Rodovia Alfredo de Oliveira Carvalho, entre os municípios de Taguaí (SP) e Taquarituba (SP).

De acordo com a reportagem, a conclusão do laudo foi de que “mangueiras, válvulas e demais componentes estavam íntegros e não foram encontrados vestígios que indicassem falha no sistema de freios”.

“Infelizmente, nesse acidente, houve uma falha humana. Não havia falha no freio. Houve uma ultrapassagem em local proibido de fato, que foi uma ação deliberada do motorista”, afirmou a delegada Camila Rosa Alves a TV Globo.

O motorista do ônibus, Mauro Aparecido de Oliveira, disse à emissora, em 10 de fevereiro, que houve uma falha mecânica no veículo, o que teria causado o acidente, segundo ele.

Depoimento

Em seu depoimento, o motorista afirmou não ter desviado o ônibus para a direita porque pensou que havia uma ribanceira naquele trecho, mas não há. Porém, as informações reveladas no laudo apontam que o motorista poderia ter desviado para a direita se a intenção dele não fosse fazer uma ultrapassagem. A investigação também concluiu que, como o motorista fazia o mesmo percurso há oito anos e conhecia bem a rodovia.

A investigação já havia concluído que o ônibus estava acima da velocidade permitida, atrás de outro coletivo e de um caminhão, em uma curva onde é proibido ultrapassar. O veículo atingiu 89 km/h, enquanto a velocidade máxima na rodovia era de 80 km/h. Ao todo, 27 pessoas foram ouvidas no caso.

O inquérito policial deve ser concluído em breve e encaminhado ao Ministério Público do estado.

Defesa do motorista 

Hamilton Gianfratti, advogado de Oliveira, afirmou à reportagem do Fantástico que “há testemunhas que comprovariam que o freio falhou”. O advogado informou que vai pedir o perdão judicial, ou seja, que a Justiça deixe de aplicar a pena, caso o motorista seja condenado.

Segundo ele, o condutor está vivendo “sob intenso sofrimento, sob medicação”, e “mantinha uma relação subjetiva de afetividade com todos componentes do ônibus”.

O ônibus conduzido por Mauro de Oliveira pertencia à Star Turismo, que não tinha autorização para fazer o transporte intermunicipal. Segundo a reportagem do Fantástico, a perícia também identificou que os pneus do veículo estavam carecas.

Em nota, o advogado da Star Turismo informou que a manutenção dos ônibus era realizada semanalmente e que a empresa ainda não foi notificada sobre a suspensão da autorização para fazer o transporte intermunicipal.

As vítimas do acidente trabalhavam para três empresas que funcionavam na mesma fábrica de roupas. Os donos dessas empresas teriam contratado a Star Turismo, e por isso, também devem ser indiciados pela Polícia, por colocar em risco a vida de seus funcionários.

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