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A Polícia Civil prendeu um faxineiro acusado de estuprar seis mulheres nos últimos dois meses em cinco bairros da zona sul de São Paulo. Ele teve a prisão temporária, por 15 dias, decretada pela Justiça. Seis mulheres já identificaram o homem como autor do crime — e a polícia ainda espera que outras vítimas possam reconhecê-lo. A prisão ocorreu na terça-feira (12/9).

Cláudio Aquino dos Santos Mariano, 44 anos, abordava mulheres na rua e as obrigava a entrar em seu carro, um Fiat Uno. Para isso, usava uma arma, segundo as investigações conduzidas pelo delegado Anderson Pires Gianpaoli, titular do 96º Distrito Policial (Brooklin).

O homem foi identificado após investigadores notarem que três estupros em intervalo de seis horas, da noite da sexta-feira (8) à madrugada do sábado (9), tinham em comum o fato de um Uno ter sido usado na abordagem às vítimas. Todas disseram à polícia que o acusado teria feito, primeiro, que acreditassem ser um roubo ou um sequestro.

No carro, com a arma na mão, ele as violentava. Depois, abandonava as mulheres em ruas distantes dos pontos da captura. As vítimas que já o reconheceram têm de 16 a 42 anos — no grupo, há outra adolescente, de 17. “Espero que, com a divulgação da prisão, mais vítimas possam vir e reconhecê-lo”, disse o delegado.

Prisão
A identificação de Aquino partiu do registro de um dos casos do dia 8. Uma mulher havia sido abordada na Avenida Hélio Pellegrino, próximo à Avenida Santo Amaro, na Vila Nova Conceição. “Fizemos buscas no sistema e achamos outros dois casos, muito parecidos, no mesmo dia”, afirma Gianpaoli.

As buscas por imagens que pudessem mostrar um Uno de cor escura começou a partir do endereço dos três crimes. Naquele dia, às 18h, uma mulher havia sido atacada do Morumbi. Ela havia sido obrigada a circular com um suposto assaltante até uma rua pouco movimentada e, dentro do carro, estuprada. Foi abandonada e ferida, no mesmo bairro.

Pelas conclusões da Polícia Civil, após cometer esse crime, Mariano abordou a segunda vítima da noite. A polícia acredita que o acusado voltava para casa quanto encontrou o terceiro alvo. O Uno foi identificado pelas câmeras do sistema Detecta — que armazena as informações de radares de trânsito. Com as placas do veículo, foi possível localizar o dono.

Os investigadores conseguiram fotografias do suspeito, que foram mostradas às vítimas. As três disseram que ele era seu estuprador. Com isso, o delegado conseguiu o mandado de prisão temporária.

Com a divulgação de imagens do acusado e do carro, feitas nesta quarta (13) pela televisão, mais três mulheres procuraram o 96º DP. Todas também reconheceram Mariano como autor dos crimes. Uma sétima, que também procurou a polícia, ainda deve fazer o reconhecimento.

“Fizemos buscas no carro, no trabalho e em sua casa, mas ainda não localizamos a arma”, disse Gianpaoli. Com a identificação feita por mais vítimas, ele espera transformar a prisão temporária em preventiva — que não tem prazo de expiração e pode durar até ele ser julgado.

Em um dos casos, familiares da vítima 16 anos vinham tentando, por conta própria, localizar o carro usado pelo criminoso. “A gente até conseguiu, em um comércio, achar uma imagem do Uno passando. Era ele. Mas a imagem era ruim, e não dava para ver a placa”, contou um tio da garota.

A reportagem não conseguiu localizar familiares nem advogado de defesa. Mariano é casado e tem uma filha. Ele já ficou preso por 10 anos por roubo. Foi condenado em Campinas (SP), no interior paulista, e libertado em 2012. A polícia ainda busca informações sobre outra suposta acusação de estupro, anterior à prisão por roubo.

Ao se casar, e assumir o sobrenome da mulher, ele teria despistado os policiais na época. Outra investigação é sobre um pedido de prisão determinado pela Justiça mineira.

Dados
O crime de estupro está em alta no estado. Há um aumento de 9,2% entre janeiro e julho deste, ante os sete primeiros meses do ano passado. No total, são 6,1 mil casos.

Para especialistas, não é possível determinar, sem análise mais aprofundada, que o faxineiro tenha transtorno psicológico. “Na maioria das vezes, o crime é comum e não tem relação com doença mental. Ocorre que o estupro é um crime tão agressivo, tão perturbador, que as pessoas tendem a achar que só pode ser resultado de um transtorno mental”, explicou o psiquiatra Daniel Martins de Barros.

 

 

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