*
 

O adolescente de 15 anos que agrediu a professora Marcia Friggi, de 51 anos, no município de Indaial, em Santa Catarina, disse à polícia que agiu por ímpeto após ter sido tratado de forma supostamente desrespeitosa. O jovem demonstrou arrependimento pelo ato.

A Polícia Civil catarinense encerrou o inquérito nesta quinta-feira (24/8). Já o Ministério Público deverá decidir que medidas judiciais pedirá contra o jovem e, provavelmente, pedir a internação dele em alguma unidade socioeducativa do estado.

O delegado José Klock, que conduziu o inquérito, disse que o caso foi encerrado após ouvir testemunhas. “Elas repetiram as informações da professora, dizendo que estavam na diretoria quando a professora chegou com o aluno. Em ato contínuo, o soco foi desferido”, contou o investigador.

Nesta quarta, o adolescente havia prestado depoimento. “Ele disse que deu uma coisa ruim nele, que agiu por ímpeto e que havia sido tratado mal quando foi abordado na sala de aula, teria sido ofendido, na versão dele. E quando não conseguiu se expressar na diretoria acabou agredindo a professora”.

Klock relatou que o adolescente demonstrou arrependimento durante o depoimento e que ele não esperava que o caso atingisse essa repercussão. Como se trata de um menor de idade, não há indiciamento ao final do inquérito, mas indicação de que ele cometeu crime análogo à lesão corporal.

“Agora, o Ministério Público que decide qual medida será requisitada”, completou.

Agressão
O caso ficou conhecido quando Marcia denunciou a agressão nas redes sociais. Conforme o relato, a educadora pediu que o adolescente colocasse o livro utilizado na aula sobre a mesa. Com a negativa do rapaz e uma agressão verbal como resposta, a docente pediu que ele se retirasse da sala.

A agressão física teria ocorrido minutos depois, quando os dois foram até a sala da direção. Marcia publicou fotos que mostram um corte aberto em uma das sobrancelhas, um olho inchado por um hematoma e sangramento no nariz.

Na publicação, a profissional também desabafa sobre agressões verbais anteriores e reclama do desamparo dos governos em relação à profissão.

“Estou dilacerada por saber que não sou a única, talvez não seja a última. Estou dilacerada por já ter sofrido agressão verbal, por ver meus colegas sofrerem. Porque me sinto em desamparo, como estão desamparados todos os professores brasileiros. Estamos, há anos, sendo colocados em condição de desamparo pelos governos”, afirmou.