PF e PCDF investigam hackers que vendiam dados do MS por R$ 69,99
Dados do sistema que cuida de informações sobre vacinação foram vazados em 2023. PCDF entrou na investigação após ataque em sistema interno
atualizado
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Um dos braços de um grupo criminoso suspeito de vazar informações privadas de 223 milhões de pessoas, considerado o maior vazamento de dados da história do Brasil, em janeiro de 2021, agora é alvo de uma nova investigação da Polícia Federal (PF), junto à Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), por dados vazados do Programa Nacional de Imunizações (SI-PNI) do Ministério da Saúde.
Investigações tocadas pela PF até novembro do ano passado mostram que foram identificados dados vazados do SI-PNI — que tem informações sobre cobertura vacinal e vacinação contra doenças — em março de 2023, após o próprio ministério indicar o episódio.
Os dados, segundo as investigações até o momento, eram vendidos na internet por R$ 69,99. Os criminosos ofereciam amplos poderes de consulta e alteração de dados de brasileiros, após terem conseguido acesso a informações de uma profissional de saúde de Humberto de Campos (MA) terem sido comprometidos. Ela obtinha acesso ao sistema do programa.
As investigações em conjunto foram motivadas por um ataque cibernético ao sistema da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), atribuído ao mesmo grupo responsável por vazar informações do sistema do Ministério da Saúde.
O vazamento de mais de 100 MB de dados sigilosos ocorreu como forma de “retaliação” dos criminosos, após mandados de busca e apreensão contra um dos integrantes da organização, em junho de 2023, por suspeita de envolvimento na invasão do sistema da Secretaria de Educação do Distrito Federal.
As apurações tocadas pela Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC) chegaram ao mesmo ponto que as da PF e, para que as investigações tenham andamento positivo, informações das duas apurações foram compartilhadas para entender como funciona a organização de forma mais detalhada possível.
Atualmente, todos os integrantes do grupo supostamente envolvidos nos dois ataques — seja no sistema do Ministério da Saúde, seja no da PCDF — estão soltos, mesmo após ficarem por um período presos.
Investigadores ouvidos pela reportagem acreditam que todos os integrantes do grupo prosseguem em atividade. Marcos Roberto Correia da Silva, o VandaTheGod, considerado o líder maior do grupo, permanece detido. Ele foi preso em abril do ano passado, após ficar quase um ano foragido — ele cumpria prisão domiciliar, mas rompeu a tornozeleira eletrônica e fugiu. O acusado foi capturado em Feira de Santana (BA).
Maior ataque
Os criminosos que permanecem sob investigação pelas duas polícias é braço de uma organização criminosa responsável pelo maior vazamento de dados da história do Brasil, em 2021.
À época, mesmo com a novíssima Lei Geral de Proteção de Dados, nome e CPF de 223,7 milhões de brasileiros foram expostos em fórum acessível por busca no Google. Além desses dados, endereços, empregos, salários e telefones, históricos de crédito e até fotos do rosto, foram vazados. Entre as vítimas, autoridades brasileiras e até ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
