PF cumpre mandados e STF afasta ministro interino do Trabalho

Segundo a Polícia Federal, teriam sido desviados R$ 12,9 milhões de recursos da pasta. É a quinta fase da Operação Registro Espúrio

MICHAEL MELO/METRÓPOLESMICHAEL MELO/METRÓPOLES

atualizado 13/12/2018 12:34

A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (13/12), a quinta fase da Operação Registro Espúrio, com o objetivo de aprofundar as investigações sobre organização criminosa que atua em fraudes e desvios relacionados a registros sindicais junto ao Ministério do Trabalho.

Entre os alvos de busca e apreensão da operação, está Ricardo Santos Silva Leite, consultor jurídico do ministério e que atualmente é ministro interino da pasta, além de um funcionário da Câmara dos Deputados, ex-funcionários terceirizados, advogados e um sindicato. O Supremo Tribunal Federal (STF) determinou o afastamento de Ricardo Leite do cargo.

O foco continua sendo o desvio de valores da Conta Especial Emprego e Salário (CEES), por meio de pedidos fraudulentos de restituição de contribuição sindical. Durante as diligências, a PF verificou, após a análise e o cruzamento de dados coletados, que teriam sido desviados R$ 12,9 milhões da conta.

De acordo com a PF, a organização criminosa arregimentava entidades interessadas na obtenção fraudulenta de restituições de contribuição sindical supostamente recolhidas indevidamente ou a maior na CEES. Os pedidos seriam manipulados, com o reconhecimento indevido do direito creditório. Depois, os valores eram transferidos da CEES para a conta da entidade, com posterior repasse de um percentual para os servidores públicos e advogados integrantes do esquema.

Para viabilizar a empreitada criminosa, o grupo teria arregimentado o consultor jurídico, efetivando, ainda, a nomeação, no final do ano passado, de um membro da quadrilha para exercer o cargo de Superintendente Regional do Trabalho no Distrito Federal, com o intuito de deferir, de forma irregular, os pedidos de restituição formulados por entidades ligadas ao bando.

Policiais Federais cumprem 14 mandados de busca e apreensão, expedidos pela Suprema Corte, em Brasília, Goiânia, Anápolis e Londrina (PR). Os investigados irão responder pelos crimes de peculato, corrupção passiva, corrupção ativa, falsificação de documento público e lavagem de dinheiro.

Entre os nomes apontados pela PF como integrantes do grupo, estão o presidente do PTB, Roberto Jefferson; a deputada Cristiane Brasil, filha do cacique petebista; o ex-ministro do Trabalho Helton Yomura; e os deputados federais Jovair Arantes (PTB-GO), Paulinho da Força Sindical (SD-SP) e Wilson Santiago Filho (PTB-PB).

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