Participante de ação antiaborto no ES diz que atuação foi “institucional”

Segundo a Folha de S.Paulo, assessores da ministra Damares Alves tentaram evitar que criança de 10 anos fizesse aborto autorizado por juiz

atualizado 29/09/2020 9:52

Andre Borges/Esp. Metrópoles

Uma assistente social que participou dos esforços para levar a um hospital do interior de São Paulo a criança de 10 anos que engravidou após ser estuprada pelo tio disse que a atuação conjunta com assessores da ministra Damares Alves foi apenas “institucional” e tudo que fez foi “por trâmites legais”. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.

A assistente social é Mariângela Consoli de Oliveira, presidente da Associação Guadalupe, um abrigo para gestantes em situações de vulnerabilidade no interior de São Paulo.

Ela confirmou ter estado no Espírito Santo com uma comitiva que dizia representar o Hospital São Francisco de Assis (HSFA), de Jacareí (SP). No local, pelo plano que teria sido articulado com a anuência de Damares, a menina poderia continuar a gravidez até poder fazer uma cesárea. “Prefiro não falar sobre isso, porque isso aí já passou”, esquivou-se ainda Mariângela na entrevista.

Segundo a Folha, a ministra mandou representantes do ministério e aliados políticos para tentar retardar a interrupção da gravidez. Seus interlocutores fizeram uma séria de reuniões e pressionaram os responsáveis por conduzir os procedimentos, inclusive com a promessa de benfeitorias ao conselho tutelar local. A própria Damares participou de um desses encontros, por videoconferência.

Mariângela esteve presente nessas reuniões. Outros citados não atenderam aos pedidos de entrevista do jornal.

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