No pior momento da pandemia, Bolsonaro busca se alinhar a empresários

Em São Paulo, presidente conversou com representantes do mercado sobre vacinação em massa contra Covid-19 e retomada econômica em 2021

atualizado 08/04/2021 0:52

Ministroc da Economia, Paulo Guedes, da Saúde, Marcelo Queiroga, da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, e o da Comunicação, Fábio Faria, falam com a imprensa após jantar do presidente Bolsonaro com empresáriosFábio Vieira/Metrópoles

São Paulo – O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) está em busca de aproximação com o empresariado brasileiro. Ele esteve em São Paulo na noite desta quarta-feira (7/4) e compareceu a um jantar com lideranças dos setores bancário, industrial e alimentício, entre outros.

Em pouco mais de 1 hora e 30 minutos, Bolsonaro discutiu vacinação em massa contra a Covid-19 e avanços na agenda econômica por meio de privatizações. Ele não conversou com a imprensa ao final do encontro, mas os ministros do governo asseguraram que os empresários estão alinhados com o presidente do Brasil.

Além de Bolsonaro, participaram do encontro os ministros Paulo Guedes (Economia), Tarcísio de Freitas (Infraestrutura), Marcelo Queiroga (Saúde) e Fábio Faria (Comunicação). O jantar foi promovido por Washington Cinel, proprietário da empresa de segurança Gocil, em sua mansão nos Jardins, região central da capital.

Os ministros disseram que a carta assinada por mais de 500 empresários e banqueiros com cobranças no combate à pandemia não foi discutida entre os presentes.

“O alinhamento é total [entre governo e empresários]. Todos sabem os esforços que estamos fazendo”, disse Faria.

Vacinação em massa

Desde a chegada do novo coronavírus, o presidente Jair Bolsonaro defende a manutenção de empregos e a saúde, isto é, manter os serviços abertos durante o enfrentamento da doença.

O tema da vacinação foi abordado pelos ministros da Saúde, Marcelo Queiroga, e da Infraestrutura, Tarcísio Gomes. Questionado sobre os avanços na imunização da população, Gomes depositou confiança na produção brasileira.

“São sete países que produzem vacinas e o Brasil é um deles. Estamos começando a produzir também. Só na Fiocruz é um milhão de doses por dia. Fizemos uma aposta correta que vai começar a produzir fruto também e vai dar o ritmo de vacinação que a gente precisa para poder olhar a outra etapa, a de geração de emprego”.

Pós-segunda onda

Já o ministro Paulo Guedes declarou que os empresários estão satisfeitos com as reformas estruturais, como a autonomia do Banco Central. Ele se disse otimista com a retomada da economia, mas conta com a vacinação em massa para superar a segunda onda.

Após o fim do novo auxílio emergencial, que começou a ser pago nesta quarta, Guedes acredita que o próximo passo é apostar em um programa de renda para fortalecer a população brasileira.

Ao pregar união entre os governos e a população, o ministro da Economia assinala que o país não precisa “brigar” e “subir em cadáveres para fazer política”. O Brasil encerrou a quarta com mais de 340 mil mortos pela Covid-19.

“Presidente de cemitério”

Antes da reunião com os dirigentes de empresas, houve uma manifestação contra o presidente Bolsonaro. A arquiteta Flávia Rudge Ramos, 57 anos, levantou um cartaz contra o chefe do Executivo federal em que afirma “fora presidente de cemitério”.

Ao Metrópoles, ela explicou por que protestou sozinha contra Bolsonaro. “Eu estou vendo essa tragédia sem precedentes que a gente está vivendo e a responsabilidade é dele. Não comprou vacina, corta verba do SUS. Ele é perverso, o povo tem que se revoltar, ele tem que sofrer impeachment”.

Flávia acredita que a condução do governo federal no combate à pandemia tem deixado a desejar. Ela cita, por exemplo, o desabastecimento de oxigênio em Manaus, que sofreu colapso na saúde pública em janeiro deste ano, quando Eduardo Pazuello ainda era ministro da Saúde.

“E o Bolsonaro ainda continua defendendo remédios sem comprovação científica e persegue governadores que decretam lockdown”, complementou Flávia. Para ela, o encontro desta noite favorece interesses privados, e não públicos.

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