Morte trágica de soldado da PM em Goiás completa 2 anos sem solução

Walisson, o Soldado Montanha, foi morto com tiro na cabeça. PM lamentou “inação das autoridades”. “Falta de respeito”, diz irmã da vítima

Goiânia – A morte do soldado Walisson Miranda Costa, então com 28 anos, completa dois anos nesta quinta-feira (23/9), sem que o caso seja desvendado. O crime chocou Goiás e teve grande repercussão, provocando pesar até do então ministro da Justiça e Segurança Pública Sérgio Moro.

Walisson, que era conhecido como Soldado Montanha (uma brincadeira de amigos por conta de sua baixa estatura), foi baleado na cabeça, durante seu horário de serviço, em Aparecida de Goiânia, região metropolitana da capital, na noite de 22 de setembro de 2019. Ele morreu durante a madrugada, após uma cirurgia.

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Governador Ronaldo Caiado (DEM) e secretário de segurança Rodney Miranda no enterro do soldado Walisson Miranda
Walisson ao lado do amigo Alexandre Eufrásio. Apelido "Montanha" era brincadeira com estatura baixa
Soldado da PM de Goiás, Walisson, de 28 anos, foi morto enquanto trabalhava

A Polícia Civil de Goiás ainda não concluiu o inquérito sobre a morte do soldado, mas afirma que a investigação está avançada. A mesma declaração foi dada ao jornal O Popular, quando a morte completou um ano. Enquanto isso, a família cobra por Justiça.

“Tem dois anos que nos dizem que é sigiloso e nunca descobrem nada. Uma falta de respeito com nossa dor. Já mudaram de delegado várias vezes. E ninguém vai para frente com o caso dele. É muito triste. É muito doído”, disse ao Metrópoles a irmã do soldado, Cristiany Miranda Costa.

Policiais abalados

Um inquérito policial militar sobre o caso, encerrado em abril de 2020, conclui que não foi possível estabelecer o menor indício possível de autoria do crime.

No documento, o então corregedor da PM, coronel Newton Nery de Castilho, chega a lamentar a “inação das autoridades competentes” por não fornecerem informações sobre o caso para a Polícia Militar.

Para o coronel, à época, esta inação “empobrece as relações institucionais; causa instabilidade psicológica em policiais, que não sabem se poderão ser alvos do mesmo assassino; condena a família do militar morto à dor de não saber o responsável pelo crime; e atemoriza a sociedade”.

Segura! Segura!

Na noite do crime, quatro policiais, incluindo Walisson, fizeram uma abordagem durante uma operação de inteligência, sem farda e dentro de um carro modelo Onix descaracterizado. A pessoa abordada estava em um Audi e foi liberada após a verificação.

Os quatro policiais voltavam para o batalhão da Companhia de Policiamento Especializado (CPE), quando, próximo de um quebra-molas, passaram ao lado de uma caminhonete S10.

Neste momento, segundo depoimentos dos policiais, Walisson teria gritado: “Que isso aqui?! Segura! segura!”. O motorista da caminhonete teria então dado um tiro que atravessou a cabeça do soldado e atingiu de raspão o braço de um sargento ao seu lado.

Confundidos com ladrões?

Um dos policiais que estava no carro disse em depoimento que o motorista da S10 pode ter se assustado por ver quatro homens dentro do Onix e confundido os policiais com ladrões.

Logo após o crime, chegou a circular o rumor de que um policial poderia estar envolvido com o crime, mas essa hipótese foi descartada pela Polícia Civil à época.

O superior dos policiais foi indiciado pela Polícia Militar porque teria determinado a operação sem farda e sem viatura caracterizada, sendo que não teria autorização para fazer isso, segundo o regimento da corporação.

Em reportagem do Popular de setembro de 2020, a Polícia Civil divulgou que a investigação incluía outra unidade da federação, além de Goiás, e que o possível veículo utilizado no crime chegou a ser apreendido, além de munições. No entanto, até hoje nada foi esclarecido.