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Morreu nesta quinta-feira (2/11) pela manhã a professora e historiadora Emília Viotti da Costa, aos 89 anos, de falência múltipla de órgãos. Seu corpo foi velado no Velório São Pedro, antes de uma cerimônia no crematório de Vila Alpina. Autora de livros de referência sobre o Brasil Colonial, entre eles “Da Senzala à Colônia” (Editora Unesp), a historiadora deu aulas de história da América Latina na Universidade de Yale, recebendo o título de professora emérita da USP em 1999.

Presa em 1969 durante a ditadura militar, ela foi aposentada pelo Ato Institucional n.º 5 quando lecionava no Departamento de História da Universidade de São Paulo, transferindo-se para os EUA em 1973.

Uma das grandes especialistas no tema escravidão, a professora abordou, em seu livro mais conhecido, “Da Senzala à Colônia”, a passagem do trabalho escravo ao livre na cafeicultura. Também sobre escravidão, mas tratando da rebelião dos escravos na Guiana, em 1823, Emília Viotti resgatou documentos de participantes da revolta, reprimida com violência, que atingiu mais de 10 mil escravos, incriminando missionários, acusados de fomentar o ódio contra os senhores brancos.

Emília Viotti foi punida pelo regime militar por se engajar no movimento contra a reforma universitária em 1968. Entre outros livros essenciais para o entendimento da história do Brasil, a professora, que, nos anos 1960, já praticava o que hoje se chama “história narrativa”, deixou “Da Monarquia à República”, uma análise da formação e do caráter da sociedade brasileira, da Independência até o período republicano.

Entre seus títulos mais recentes destaca-se “O Supremo Tribunal Federal e a Construção da Cidadania”, publicado pela Unesp. No ano passado pela foi homenageada com um simpósio em São Paulo que contou com a presença de importantes historiadores e filósofos, como Marilena Chauí.

 

 

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Emília Viotti da Costahistoriadora
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