Ministro é acusado de liberar recurso para filho comprar casa lotérica

Gilberto Occhi foi vice-presidente e presidente do CEF e, segundo jornal, teria usado o cargo para beneficiar parentes

Elza Fiuza/Agência BrasilElza Fiuza/Agência Brasil

atualizado 22/05/2018 11:57

De acordo com investigações internas da Caixa Econômica Federal (CEF), o ministro da Saúde, Gilberto Occhi, liberou, quando gestor do banco, recursos que foram usados na compra de casa lotérica vendida por seu filho e seu enteado em Alagoas. As informações são do Jornal Folha de São Paulo.

O valor de R$ 200 mil foi transferido a uma prefeitura local e, posteriormente, depositado na conta de uma das lotéricas negociadas. Gustavo Occhi, filho do ministro, e Diogo Andrade dos Santos, filho da mulher dele, conseguiram concessões para explorar três casas no estado em 2011. Em janeiro de 2013, as lotéricas, localizadas em Atalaia, Coqueiro Seco e Satuba, foram vendidas.

A movimentação foi de R$ 513 mil na conta do então superintendente nacional de gestão da Caixa no Nordeste. Depois disso, Occhi ocupou as funções de vice-presidente e presidente do CEF, cargo que deixou em abril de 2018.

Com a operação, os parentes de Occhi tiveram um ganho de pelo menos 100% em relação ao valor inicial pago pelas lotéricas um ano e meio antes. A prestadora de serviços do município descontou o cheque e depositou os R$ 200 mil na conta de uma das lotéricas. Segundo levantamento da Folha, trata-se da Conserg, empresa também fornecedora da Caixa em Alagoas.

O banco abriu em maio de 2011 licitação para distribuir 35 lotéricas em Alagoas, porém, não barrou a participação dos familiares do ministro. O Decreto nº 7.203, de junho de 2010, aborda o nepotismo na administração pública e determina que a restrição deveria constar do edital.

Outro lado
Em resposta, o ministro da Saúde, Gilberto Occhi, afirmou que a licitação para as lotéricas em Alagoas “respeitou toda a legislação vigente à época”. “Não há possibilidade de intervenção de qualquer pessoa no processo”, completou.

Em relação ao uso do montante do banco para comprar uma das lotéricas, Occhi transferiu a responsabilidade da resposta à Caixa. O banco, por sua vez, informou que “os processos de apuração continuam em andamento a partir de apontamentos realizados por auditorias e órgãos de controle”.

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