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O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, defendeu nesta quinta-feira (1º/11) a permanência da pasta como estrutura específica na Esplanada dos Ministérios. O comentário foi feito em entrevista coletiva a jornalistas, em Brasília, frente a decisão de Jair Bolsonaro (PSL) de reincorporar a área ao Ministério da Justiça.

O juiz federal Sérgio Moro anunciou que aceitou o convite do presidente eleito para comandar o novo ministério e ficará a frente da estrutura, bem como da Polícia Federal. Moro foi o responsável pela Operação Lava Jato e estava lotado na 13ª Vara da Justiça Federal do Paraná, em Curitiba. O magistrado foi o responsável pela análise do processo que terminou na prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além de outros políticos investigados na operação.

“Eu gostaria que o ministério continuasse existindo para não ser conhecido como primeiro e único, mas faço votos de que faça sucesso. Deixamos uma estrutura que não tinha antes. Estados não fazem política nacional, não têm sistema nacional e o governo central não tinha isso. Sempre queremos aqui deixar um legado para que quem viesse pudesse tirar proveito a favor do povo brasileiro”, disse.

Após manifestar sua preferência, Jungmann lembrou que a decisão é do presidente eleito e colocou sua intenção de “ajudar” na transição. Ele elogiou a escolha de Moro. “É alguém que tem todos os títulos, autoridade e legitimidade. É um ganho tê-lo no Executivo”, avaliou. O ministro informou que ligou para Moro hoje para tratar da transição e que o magistrado paranaense deverá vir a Brasília na próxima semana para começar as tratativas. Ainda não há um dia definido.

Histórico
O ministério da Segurança Pública foi criado pela Medida Provisória 821, de 2018, editada em 27 de fevereiro deste ano. Antes disso, a área estava na alçada do Ministério da Justiça, para onde voltará na gestão de Jair Bolsonaro. Raul Jungmann, que até então ocupava o cargo de ministro da Defesa, foi escolhido para o comando. A pasta passou a coordenar as ações deste setor, bem como a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal.

A criação do ministério ocorreu no contexto da instituição, pelo Executivo Federal, do decreto da Intervenção Militar no estado do Rio de Janeiro. Ela foi prevista até o fim do ano. O governador eleito Wilson Witzel deu declarações defendendo que as tropas militares permaneçam por mais dez meses no estado, mas que não pretende pedir a prorrogação da intervenção federal.