Lula responde se vai assistir ao julgamento de Bolsonaro no STF

Julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados começa na próxima terça (2/9). Réus respondem por tentativa de golpe após eleições

atualizado

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PGR se manifestará sobre denúncia do PL contra Lula
1 de 1 PGR se manifestará sobre denúncia do PL contra Lula - Foto: KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou, nesta sexta-feira (29/8), que não vai assistir ao julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e mais sete réus acusados de tentativa de golpe de Estado. A análise começa no próximo dia 2 de setembro e vai até o dia 12.

“Eu não vou assistir ao julgamento não. Tenho coisa melhor para fazer”, disse Lula, em entrevista à Rádio Itatiaia.

Para o julgamento do chamado “núcleo crucial” da suposta trama golpista, o presidente da Primeira Turma do Supremo, ministro Cristiano Zanin, convocou sessões extraordinárias para os dias 2, 3, 9, 10 e 12 de setembro de 2025, das 9h às 12h, além de uma sessão extraordinária no dia 12, das 14h às 19h. O ministro também convocou sessões ordinárias para os dias 2 e 9 de setembro, das 14h às 19h.

Bolsonaro e aliados — entre eles o ex-ministro Braga Netto e o ex-ajudante de ordens Mauro Cid — são réus por tentativa de golpe que teria o objetivo de impedir o governo de Lula após as eleições de 2022 e manter o então presidente no poder. O julgamento será presencial.

Lula também comentou sobre a anistia aos envolvidos nos atos antidemocráticos do 8 de Janeiro. Segundo o presidente, esse é um tema “impertinente”.

“Não se discute anistia. É uma coisa tão impertinente. Ninguém foi, ainda, condenado. O homem [Bolsonaro] não foi nem julgado. Ele já está querendo anistia, já está dizendo que é culpado e quer ser perdoado. Não, ele tem que primeiro provar a inocência dele”, afirmou o petista.

Quem são os réus do núcleo crucial

  • Alexandre Ramagem: ex-diretor da Abin, ele é acusado pela PGR de atuar na disseminação de notícias falsas sobre fraude nas eleições.
  • Almir Garnier Santos: ex-comandante da Marinha, ele teria apoiado a tentativa de golpe em reunião com comandantes das Forças Armadas, na qual o então ministro da Defesa apresentou minuta de decreto golpista. Segundo a PGR, o almirante teria colocado tropas da Marinha à disposição.
  • Anderson Torres: ex-ministro da Justiça, ele é acusado de assessorar juridicamente Bolsonaro na execução do plano golpista. Um dos principais indícios é a minuta do golpe encontrada na casa de Torres, em janeiro de 2023.
  • Augusto Heleno: ex-ministro do GSI, o general participou de uma live que, segundo a denúncia, propagava notícias falsas sobre o sistema eleitoral. A PF também localizou uma agenda com anotações sobre o planejamento para descredibilizar as urnas eletrônicas.
  • Jair Bolsonaro: ex-presidente da República, ele é apontado como líder da trama golpista. A PGR sustenta que Bolsonaro comandou o plano para se manter no poder após ser derrotado nas eleições e, por isso, responde à qualificadora de liderar o grupo.
  • Mauro Cid: ex-ajudante de ordens de Bolsonaro e delator do caso. Segundo a PGR, ele participou de reuniões sobre o golpe e trocou mensagens com conteúdo relacionado ao planejamento da ação.
  • Paulo Sérgio Nogueira: ex-ministro da Defesa, ele teria apresentado aos comandantes militares decreto de estado de defesa, redigido por Bolsonaro. O texto previa a criação de “Comissão de Regularidade Eleitoral” e buscava anular o resultado das eleições.
  • Walter Souza Braga Netto: é o único réu preso entre os oito acusados do núcleo central. Ex-ministro e general da reserva, foi detido em dezembro do ano passado por suspeita de obstruir as investigações. Segundo a delação de Cid, Braga Netto teria entregado dinheiro em uma sacola de vinho para financiar acampamentos e ações que incluíam um plano para matar o ministro Alexandre de Moraes.

As defesas dos réus do chamado núcleo crucial da trama golpista denunciada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) ao STF apresentaram, em 13 de agosto, as alegações finais. A linha comum seguida pelos advogados dos oito réus foi frisar a falta de provas da acusação para ligar os respectivos clientes à participação no planejamento de um possível golpe de Estado.

A partir do dia 2, então, a Primeira Turma analisa todo o caso para decidir se condena ou absolve os réus. O colegiado é composto por Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia, Cristiano Zanin, Luiz Fux e Flávio Dino.

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