Karina Buhr diz que foi estuprada várias vezes por babalorixá

"Por que expor por estupro um homem que acabou de morrer? Porque eu quase morri nas mãos dele", disse a cantora nas redes sociais

atualizado 23/12/2019 21:51

Divulgação

Por meio da rede social Medium, a cantora baiana Karina Buhr afirmou ter sido estuprada várias vezes por Dito de Oxóssi, babalorixá e vocalista do Afoxé Ylê de Egbá, que morreu no último dia 15, no Recife, após uma sofrer uma parada cardiorrespiratória, aos 57 anos.

A cantora começa o texto revelando o motivo do desabafo só após a morte do vocalista: “Por que expor por estupro um homem que acabou de morrer? Porque eu quase morri nas mãos dele”. Com o título da publicação, “Ele morreu, e o inferno ressuscitou pra mim”, Karina narra com detalhes os abusos sexuais que sofreu do músico.

Ao decorrer do relato, Karina afirma que tinha medo de denunciar. “Se alguém rouba um carro ninguém diz pra não denunciar porque o ladrão é perigoso, o ladrão sabe onde é sua casa. Isso só acontece em casos de estupro. Por que não denunciou quando estava vivo? Por medo de morrer, medo de machucar minha mãe”, revelou.

Como aconteceu
Na rede social, ela conta como aconteceram os estupros. De acordo com a cantora, a primeira violação cometida por Dito de Oxóssi foi na casa dela, no ano de 2000: “Ele me levou pro quarto, me mandou ajoelhar no chão e agiu como se fosse começar uma daquelas sessões de conselho. Achei estranho o pedido pra ajoelhar, mas fiz. Ele então abriu o cinto, abriu a calça e botou o pênis na minha boca”, afirmou.

“Eu fiquei aturdida, paralisada de medo, de culpa, de vergonha, embora eu estivesse sendo vítima de algo que nem sabia ainda o que era. Não entendi nada, estava tudo errado de novo e de novo eu não ia conseguir reagir, aos prantos, desesperada. Eu estava totalmente dominada por essa situação e me sentia sem domínio sobre minha mente nem meu corpo. Era uma entidade com a qual eu convivia há um tempo e tinha devoção”, contou.

De acordo com o que ela descreve no texto, o segundo abuso teria acontecido na casa do babalorixá, em 2001: “Enquanto falava e dava conselhos, abriu a calça. Me encostou na mesa e me estuprou com penetração de novo, eu de novo chorando, na sala da minha mãe, com todo medo, culpa e tristeza aumentados por conta disso”.

“Logo depois que ele enfiou, consegui reagir, empurrei ele (e fiquei com um peso estranho demais, achando que fiz algo muito errado e que seria punida) e ele tirou de dentro. Poucos minutos depois alguém entrou em casa. Minha vontade era de me matar. Saí de casa olhando pro chão e com uma culpa indescritível”, ressaltou.

Karina afirma que a terceira vez, foi no carro dele: “Botando o pênis pra fora enquanto dirigia o carro, puxando minha cabeça e enfiando na minha boca pra que eu repetisse tudo aquilo e falando que eu tinha me tornado mais forte, que minha mente estava tranquila. Eu estava destruída por dentro. Isso não lembro quando foi, só que foi depois das outras duas vezes”, relatou ela.

Outros crimes
Em alguns momento, Karina questiona as homenagens feitas pela população pernambucana a Dito de Oxóssi. “Ele está sendo homenageado como grande representante e guardião da cultura pernambucana (cada reverência que vejo é uma facada que sinto dentro) e isso precisa ser questionado. Babalorixá cuida. Quem pratica extorsão, coação e estupros não está zelando por orixá algum, por pessoa alguma”, afirmou

“Há um ano decidi que finalmente denunciaria Dito de Oxóssi (Expedito Paula Neves), babalorixá pernambucano, chefe do afoxé Ylê de Egbá, por estupros. Houveram (sic) outros crimes mas o único que ainda seria possível denunciar, por conta do tempo, era esse”, relatou a cantora.

Karina também afirma que já prestou depoimento. “Na sede do MP-PE de Olinda prestei depoimento para a promotora Henriqueta de Belli, que me ouviu falar por quase 3 horas, sem intervalo. Depois ela me enviou um termo de declaração pra que eu assinasse, pra dar entrada no processo, mas acabei nunca fazendo isso, por conta do estado em que minha mãe ficou, com medo dele, do que ele pudesse fazer”.

Veja o texto escrito por Karina Buhr na íntegra.

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