“Sobre eles, que caia a ira do profeta”, diz Napoleão Gonzaga

Ministro do TSE repudia reportagem que revela suposto encontro dele com executivos da OAS e faz gesto de “degola” no plenário da Corte

O ministro Napoleão Nunes Maia protagonizou alguns dos momentos mais tensos da sessão da tarde desta sexta-feira (9/6) no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ao ter a palavra para iniciar seu voto no processo que pede a cassação da chapa Dilma-Temer, eleita para a Presidência da República em 2014, o magistrado fez ataques à imprensa.

Napoleão criticou notícias veiculadas de que ele fora citado em delação premiada da OAS. “Nunca falei, nunca participei de reunião nenhuma com ninguém da OAS”, rebateu o ministro, que estava muito alterado. Ele também repudiou a informação de que o advogado brasiliense Willer Tomaz de Souza, preso na Operação Patmos, teria citado uma combinação que o envolvia. “Tenho 30 anos de juiz e agora vêm essas pessoas desfazer minha reputação?”, bradou.

Visivelmente irritado, Napoleão disse que precisou se explicar para os fiéis da igreja que frequenta e, para isso, citou um provérbio islâmico: “Com a medida que medem serão medidos, e sobre eles, que caia a ira do profeta”. Ao ilustrar o que seria a “ira do profeta”, o ministro do TSE fez um gesto com a mão passando pelo pescoço, em alusão a uma degola.

Segundo o jornal Valor Econômico, integrantes do grupo OAS mencionaram o nome do ministro aos investigadores entre aqueles que poderiam favorecer interesses da empresa no Judiciário. Nas delações haveria ainda o registro de um encontro com o magistrado em Brasília para tratar das prisões preventivas dos executivos.

Devido ao clima de animosidade, o presidente da Corte, Gilmar Mendes, fez um desagravo em defesa do colega e suspendeu a sessão por cinco minutos.