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O ex-presidente Lula foi ouvido na manhã desta terça-feira (5/6) pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro. Ele falou como testemunha do ex-governador do Estado Sérgio Cabral, investigado por supostamente integrar um esquema de corrupção para a compra de apoio na votação que definiu o Rio como sede dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016.

O ex-jogador Pelé também foi ouvido nesta terça, por Skype, mas como testemunha do ex-presidente do Comitê Olímpico Brasileiro e do Comitê Rio 2016, Carlos Arthur Nuzman. Os processos contra Cabral e Nuzman fazem parte da operação Unflair Play.

De terno e gravata, o ex-presidente depôs por videoconferência ao juiz Marcelo Bretas, já que permanece preso na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba. Ao magistrado, garantiu não ter havido “trapaças na escolha do Rio” como sede daquele ano. “Nunca soube de negociatas. Lamento que essa denúncia tenha surgido oito anos depois”, disse.

Em quase 50 minutos, o petista reclamou que o país vive um tempo de “denuncismo” e esbravejou ao dizer estar “cansado de mentiras”. Neste momento, Lula foi interrompido por Bretas, que ao longo do depoimento impediu que o ex-chefe do Executivo nacional atacasse a Justiça. Apesar da repressão, Bretas elogiou a postura de Lula no fim da oitiva.

Pelé também negou ter conhecimento de qualquer negociata de compra de votos para a escolha do Rio como sede da Olimpíada 2016, em troca de vantagens pessoais. “Eu não fazia parte das reuniões da cúpula”, disse.

Segundo Pelé, Cabral o convidou para participar da campanha do Rio como sede da Olimpíada. Ele relatou ter feito “três ou quatro” viagens, mas disse que, se houve conversas nesse sentido (sobre negociatas) nas viagens, “devem ter sido em particular”.

Além dos dois, também são réus na ação o empresário Arthur César de Menezes Soares Filho, conhecido como Rei Arthur; o ex-diretor de Operações do Comitê Rio 2016, Leonardo Gryner; e os senegaleses Papa Diack e Lamine Diack, que teriam recebido a propina para garantir votos africanos à candidatura do Brasil.

Corrupção
Nuzman é acusado por corrupção passiva, organização criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Cabral, por corrupção passiva. Gryner também é acusado de corrupção passiva e organização criminosa. Arthur Nuzman, de corrupção ativa. Papa e Lamine Diack, de corrupção passiva.

Ao aceitar a denúncia, em outubro do ano passado, Bretas escreveu: “No período compreendido entre agosto e setembro de 2009, Sérgio Cabral, Carlos Nuzman e Leonardo Gryner, de forma livre e consciente, solicitaram e aceitaram promessa de vantagem indevida de Arthur Soares, consistente no pagamento a Lamine Diack, por intermédio do seu filho, Papa Diack, no valor de, ao menos, US$ 2 milhões, com o intuito de garantir votos para o Rio de Janeiro como cidade-sede dos Jogos Olímpicos de 2016” (Com informações da Agência Brasil, Folha de São Paulo e Estadão).

 

 

 

 

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