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A força-tarefa do Ministério Público Federal no Paraná (MPFPR) ofereceu nesta sexta-feira (8/6) denúncia contra nove investigados por associação criminosa, corrupção e lavagem de dinheiro no âmbito de um contrato para prestação de serviços no valor de R$ 825 milhões celebrado entre a Construtora Norberto Odebrecht e a Petrobras.

A denúncia decorre da 51ª fase da Lava Jato, deflagrada em maio e intitulada Dejà Vu. Entre os denunciados estão os ex-funcionários da estatal, Aluísio Teles Ferreira Filho, Rodrigo Zambrotti Pinaud e Ulisses Sobral Calile; o operador financeiro Mário Ildeu de Miranda; além de Ângelo Tadeu Lauria, apontado como agente responsável por intermediar repasse de recursos ilícitos a políticos vinculados ao MDB. Além disso, outros quatro executivos da empreiteira também são alvos da investigação.

O contrato celebrado previa a prestação de serviços de reabilitação, construção, montagem, diagnóstico, remediação ambiental, elaboração de estudo e levantamentos nas áreas de segurança, meio ambiente e saúde em nove países além do Brasil.

Segundo a Procuradoria, para garantir que a empresa fosse favorecida na disputa, executivos pagaram propina aos ex-funcionários da estatal e a operadores vinculados ao MDB no valor de aproximadamente US$ 55 milhões – cerca de R$ 200 milhões em montante atualizado. Tais pagamentos ocorreram entre os anos de 2010 e 2012, sustenta a Lava Jato.

“Como contrapartida à propina paga, a Odebrecht teve acesso a informações privilegiadas de modo antecipado sobre o projeto, inclusive a relação das empresas a serem convidadas para o futuro certame”, afirma o Ministério Público Federal.

Dentro do esquema criminoso na Petrobras, que dividiu diretorias conforme interesses políticos, as indicações e manutenções de cargo na área internacional eram realizadas pelo MDB, destaca a Procuradoria.

À época dos crimes apontados pela denúncia, o diretor responsável pelo cargo era Jorge Zelada. Já Aluísio Teles ocupava o posto de gerente-geral da pasta.

A investigação aponta que repasses de US$ 24,7 milhões foram realizados para os ex-funcionários da Petrobras por transferências em bancos estrangeiros de modo escalonado, por intermédio de diferentes contas bancárias em nomes de empresas offshores, para dificultar o rastreamento de sua origem e natureza ilícitas.

“Os elementos colhidos indicam ainda que aproximadamente US$ 31 milhões foram destinados a agentes intermediários de políticos vinculados ao então PMDB. O pagamento neste núcleo se deu por meio da utilização de contas mantidas por operadores financeiros no exterior, que tratavam de disponibilizar o valor equivalente em moeda nacional, em espécie e no Brasil, ao encarregado pelo recebimento e distribuição do dinheiro aos agentes vinculados ao partido.”

Outro lado
O MDB tem negado reiteradamente qualquer ligação com o esquema de propinas instalado na Petrobras entre 2004 e 2014.