Ex-executivos da Petrobras pagarão petroleiros por danos morais

Paulo Roberto Costa e Pedro Barusco terão que desembolsar, cada um, R$ 500 mil por danos morais aos funcionários. Dinheiro vai para o Petros

Fernando Frazão/Agência Brasil

atualizado 19/02/2020 18:51

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro condenou o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e o ex-gerente de Serviços da companhia Pedro Barusco a indenizar os trabalhadores da empresa por danos morais coletivos. A decisão foi tomada nesta quarta-feira (19/02/2020).

O valor da indenização definida é de R$ 500 mil para cada um, e os recursos serão destinados à Fundação Petrobras de Seguridade Social (Petros).

A decisão da juíza Lindalva Soares Silva, da 11ª Vara Cível do Tribunal de Justiça do Rio, afirma que “os executivos cobravam o pagamento de um percentual dos valores dos vultosos contratos celebrados pela Petrobras. Tal situação, quando veio à tona através da ‘Operação Lava-Jato’ causou profunda repulsa no meio social e desconfiança da honra da empresa, que teve seu patrimônio lesado em milhares de dólares”.

“Os fatos confessados pelos réus, apesar de a primeira vista causarem prejuízos financeiros diretos a Petrobras, também causaram prejuízos morais aos seus empregados, pois com a descoberta dos atos ilícitos, a companhia passou a ter um profundo descrédito no mercado fazendo com que diversos contratos e obras relacionadas à exploração do ‘pré-sal’ fossem paralisados ou mesmo cancelados como forma de sanear e reduzir as despesas da empresa causando profunda frustração aos empregados que trabalharam duramente no projeto”, afirmou a juíza.

A ação foi movida pela Federação Única dos Petroleiros (FUP) em março de 2015, ainda no governo de Dilma Rousseff (PT). De acordo com nota divulgada pela federação, “o ganho dessa causa, num momento de tamanha luta, representa muito para nós petroleiros e também para a FUP.

Nosso movimento não tem cunho político e ideológico, prova disso é que durante o governo Dilma entramos com ação contra gestores que extorquiram um patrimônio público. Nossa luta não é de esquerda, nem de direita. É uma só: preservar a Petrobrás contra a corrupção, as tentativas de desmonte e privatização, e as políticas de demissão em massa”, disse Deyvid Bacelar, diretor da FUP.

Na ação, a FUP requereu R$ 1 milhão de cada réu a título de danos morais, mas a juíza Lindalva Soares Silva fixou valor de R$ 500 mil, acrescidos de juro de 1% ao mês a contar da data da propositura da demanda e correção monetária a contar da publicação desta sentença.

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