*
 

Preso há 1 ano e 7 meses, o ex-governador do Rio de Janeiro Sergio Cabral (MDB) pediu ao juiz da 7ª Vara Federal Criminal, Marcelo Bretas, para ser transportado no banco do carro da Polícia Federal, e não na carroceria, quando for levado do Complexo de Bangu, onde está detido, até a Justiça Federal. Segundo a defesa, ele sofre de uma artrose aguda no joelho direito, e viajar na parte de trás dos veículos da PF lhe causa dor. Os advogados também sustentam que o ex-governador merece o mesmo tratamento de presos como o ex-deputado Eduardo Cunha (MDB-RJ) e o ex-ministro Antônio Palocci (PT-SP).

“O pedido se deve não apenas à dignidade dos cargos que o requerente ocupou durante quase 30 anos de intensa vida pública, ou a alguma pretensão de tratamento privilegiado, como poderia soar a um açodado”, diz o pedido. “Mas especialmente à sua condição clínica de paciente de artrose aguda no joelho direito, isso tem lhe causado intenso sofrimento toda vez que precisa ser deslocado na caçamba das viaturas policiais durante os cerca de 55 quilômetros de extensão da Avenida Brasil, com as pernas flectidas em ângulo ortopedicamente anômalo”, detalha a defesa.

Na solicitação ao juiz Bretas, enviada nesta segunda-feira (4/6) os advogados Rodrigo Roca e Renata Azevedo, explicam que a condição ortopédica de Cabral foi noticiada pela imprensa em 2010, quando ele era governador. O político rompeu o menisco ao descer de uma van, e foi operado à época, andando de muletas por cerca de um mês. Ele tem audiência nesta terça-feira (5) referente à operação Unfair Play 2, a qual investigou o pagamento de propina para a eleição do Rio de Janeiro como sede das Olimpíadas de 2016.

O pedido relembra a posição de Cabral como ex-governador, ex-senador e ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio, e cita os casos de Cunha e Palocci, ambos levados no banco de trás de veículos policiais quando transportados para atos processuais. Afirma ainda: Sérgio Cabral não apresenta qualquer risco à segurança pública, “não havendo motivo para que as normas de segurança penitenciária sejam aplicadas com o mesmo rigor dos presos de comprovada periculosidade”.

Diz ainda o pedido: “Não faz sentido o requerente ser tratado como preso especial enquanto está no cárcere, mas não ter a mesma prerrogativa nos transportes que de lá o levam e lá o deixam, afora que, mais que qualquer outro preso, ele será transportado ainda inúmeras outras vezes não só para o foro federal, mas para a Justiça Estadual também”.

Cabral está preso desde novembro de 2016, acusado de liderar uma organização criminosa que atuou em setores como transportes, saúde e obras em seus dois mandatos como governador (2007-2014) e movimentou mais de R$ 1 bilhão em propinas, segundo a Procuradoria da República.