Caso Marielle: perita do MP já foi acusada por fraudar laudo

De acordo com análise pericial da Polícia Civil, áudios analisados por Maria do Carmo Gargaglione foram editados

MARCELO FONSECA/ESTADÃO CONTEÚDOMARCELO FONSECA/ESTADÃO CONTEÚDO

atualizado 08/11/2019 12:04

Uma das técnicas do Ministério Público (MP) que analisou o áudio do porteiro do condomínio do presidente Jair Bolsonaro (PSL) no inquérito que apura o assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes já foi acusada de edição fraudulenta de escuta em outra investigação, feita em 2009. As informações são do jornal O Dia

De acordo com laudo pericial da Polícia Civil, os áudios analisados por Maria do Carmo Gargaglione tinham sido editados. A fraude acabou incriminando um dos investigados. Na Justiça, contudo, ele foi absolvido.

O relatório apontou, após apreensão das interceptações telefônicas originais, que vozes atribuídas a um dos investigados no laudo emitido por Gargaglione, em duas conversas, não eram dele.

“Áudios que foram objetos de exame da técnica Maria Gargaglione exibem uma edição fraudulenta em relação ao diálogo identificado como 184, uma vez que este áudio não pertence à gravação original”, conclui o laudo do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE).

A análise foi apontada pela perita Denise Rivera, atual vice-presidente da Associação de Peritos do Rio de Janeiro. Na época, a investigação do MP procurava desarticular um esquema de corrupção que envolvia fiscais da Secretaria de Fazenda.