Após deixar a prisão, o ex-presidente Michel Temer (MDB), acusado de corrupção, lavagem de dinheiro e peculato, conversou com jornalistas. Na porta de casa, no bairro nobre Alto de Pinheiros, zona oeste de São Paulo, o político disse estar “tranquilo” e avaliou o como “positiva” a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de colocá-lo em liberdade.

“Duas palavras que quero dar a vocês (jornalistas): se lembram que eu disse que em obediência ao Tribunal Regional do Rio eu me apresentaria. Em segundo lugar, disse que aguardaria com tranquilidade e serenidade a decisão do STJ”, comentou rapidamente.

O advogado de Temer, Eduardo Carnelós, afirmou não acreditar em uma nova prisão. O emedebista foi encarcerado duas vezes em dois meses. “Não vejo razão e por isso não me preocupo com uma nova prisão. Isso seria a negação do que o STJ decidiu. Creio que a partir da decisão de ontem, todos procuraram seguir o que foi decidido por aquela corte. Aguardamos o desenrolar normal do processo”, frisou.

Na mesma tendência de Temer, o defensor avaliou positivamente o veredito da Corte. “A decisão é de uma firmeza muito grande. Todos os votos foram no sentido de que não há nenhuma justificativa para prisão preventiva. Ficou estabelecido de forma muito clara que não há motivo para mantê-lo preso”, completou.

Para o advogado, agora o trâmite do processo deve “transcorrer conforme determina a Constituição brasileira”. “A partir de agora aguardamos que possamos apresentar a defesa contra as acusações que já foram feitas, que não tem nenhum embasamento comprovatório contundente”, encerrou.

Temer é acusado de desvios de até R$ 1,8 bilhão. Ele ainda é investigado em outros oito processos e réu em seis deles. Segundo as investigações, o grupo criminoso liderado pelo emedebista atuou por quatro décadas em estatais para beneficiar empresas privadas e receber propina.

O ex-presidente deixou a cadeia após a 6ª Turma do (STJ), por unanimidade, acatar o pedido de habeas corpus. Nesta quarta-feira (15/05/2019), a juíza Caroline Figueiredo, da 7ª Vara Criminal Federal do Rio, determinou a expedição do alvará de soltura de Temer. Ela substitui o juiz Marcelo Bretas que está de férias.

A Justiça impôs medidas para que Temer deixa a cadeia. Ele não poderá manter contato com investigados, deve permanecer no Brasil, sem mudar de endereço, e entregar o passaporte à Justiça. Os bens do ex-presidente estão bloqueados.

A ação é oriunda da 16ª fase da Lava Jato, chamada Radioatividade, que identificou uma organização criminosa atuando na construção da usina nuclear Angra 3.