Justiça determina que empresário que matou gari vá a júri popular
Decisão é do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. A defesa de Renê Júnior afirmou que vai recorrer da decisão.
atualizado
Compartilhar notícia

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) determinou nesta quarta-feira (28/1) que o empresário Renê da Silva Nogueira Júnior vá a júri popular pelo assassinato do gari Laudemir de Souza Fernandes. A decisão é da juíza Ana Carolina Rauen Lopes de Souza, do Tribunal do Júri.
A decisão acolhe a denúncia apresentada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) contra Renê, que confessou o crime. O empresário foi indiciado por homicídio triplamente qualificado — por motivo fútil e por impossibilitar de defesa da vítima —, além de ameaça e porte ilegal de arma.
A data do júri ainda não foi estipulada. Ao Metrópoles, a defesa do acusado informou que vai recorrer da decisão (leia na íntegra abaixo).
Na decisão, a magistrada considerou haver provas da materialidade e indícios suficientes de autoria para o caso ser analisado pelo júri popular. A juíza também manteve as qualificadoras apresentadas pelo MPMG de motivo fútil, perigo comum e recurso que dificultou a defesa da vítima, destacando a “frieza da conduta” e a “completa indiferença” demonstrada pelo acusado.
Renê também vai responder pelos crimes de ameaça contra a motorista do caminhão, que trabalhava junto com Laudemir e para quem o empresário chegou a apontar a arma. O acusado também vai responder por fraude processual, por tentar induzir a perícia a erro ao entregar uma arma diferente da utilizada no crime. A decisão está sujeita a recurso.
Relembre o caso
- O crime foi cometido na manhã do dia 11 de agosto de 2025, enquanto a vítima trabalhava na coleta de lixo no bairro Vista Alegre. Testemunhas relataram à polícia que Laudemir e outros garis recolhiam resíduos quando o empresário passou de carro.
- Renê pediu que o caminhão fosse retirado da via para que pudesse passar com seu veículo. Após breve discussão com a motorista do caminhão e ameaçá-la, ele desceu do carro e efetuou os disparos.
- Laudemir foi atingido na região da costela. Renê entrou no veículo e fugiu. A vítima chegou a ser socorrida e levada a um hospital da região, mas não resistiu aos ferimentos. A causa da morte foi hemorragia interna provocada pelo projétil, que ficou alojado no corpo.
- A prisão do empresário aconteceu horas depois, em uma academia de luxo no bairro Estoril, durante ação conjunta das polícias Civil e Militar. O empresário passou por audiência de custódia no dia 13 de agosto e teve a prisão em flagrante convertida em preventiva.
Mensagens sobre o homicídio
Após o crime, Renê Júnior mandou mensagem e pediu ajuda a um coronel da reserva da Polícia Militar no momento em que foi abordado por policiais militares em uma academia de luxo, em 11 de agosto, horas depois do crime.
“Amigo, você poderia me dar uma ajuda? Estou cercado por PMs dizendo que eu cometi um homicídio hoje pela manhã”, escreveu René ao coronel.
O coronel reformado pergunta se pode falar com o tenente responsável pela ocorrência e, em seguida, o aplicativo de mensagens registra uma ligação de áudio de cerca de dois minutos, sugerindo que a conversa ocorreu. Apesar disso, pelo documento do inquérito, não é possível saber se o ex-coronel, de fato, fez a chamada.
Alguns minutos depois de falar com o ex-coronel da PM, Renê mandou mensagem para a esposa, a delegada Ana Paula. Em certo momento, o empresário afirma: “Amor, eu não fiz nada. Estava no lugar errado e na hora errada”.
Atuação da esposa
A conduta da esposa de Renê Júnior também foi alvo de um inquérito policial. Delegada da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), Ana Paula Balbino Nogueira foi indiciada por prevaricação, além de porte ilegal de arma de fogo de uso permitido, na modalidade “ceder ou emprestar”, utilizada pelo marido para matar o gari.
Após o crime, Renê trocou mensagens com Ana Paula e, em uma delas, chegou a pedis para que Ana Paula entregasse uma pistola 9 mm, diferente da usada no crime, uma pistola calibre .380.
“Entrega a nove milímetros. Não pega a outra. A nove milímetros não tem nada”, escreveu o empresário enquanto estava na delegacia. A polícia investiga se houve tentativa de obstrução de justiça e deve aprofundar as diligências sobre a conduta da delegada no caso.
Defesa se manifesta
“A defesa de Renê recebeu a decisão de pronúncia para que o processo seja encaminhado para julgamento perante o júri popular com surpresa, em que pese inúmeras alegações (e comprovações) de irregularidades formais na condição das investigações, inclusive algumas reconhecidas pela magistrada, das diligências ainda em andamento e da prova técnica de que a vítima sofreu 2 disparos de arma de fogo.
No entanto, respeitamos a referida decisão e informamos que manusearemos o respectivo recurso para que os excessos acusatórios e as provas nulas sejam reconhecidas e retiradas dos autos. Só assim teremos um julgamento justo e compatível com a legislação em vigor”.








