Juiz veste camisa do São Paulo em audiência e escreve hino em ata

Magistrado está sendo investigado por Corregedoria do TRT de SP. CNJ já arquivou investigação por "uso de expressões inadequadas"

atualizado 13/11/2021 9:52

O juiz Diego Petacci, investigado por enaltecer o time do São Paulo no trabalhoInstagram

São Paulo – O juiz Diego Petacci, substituto da 3ª Vara do Trabalho de Santo André, é investigado pela Corregedoria do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 2ª Região (São Paulo) porque vestiu a camisa do time do São Paulo em audiência e transcreveu trecho do hino do clube em uma ata de acordo judicial.

Torcedor fanático, com diversas fotos postadas em redes sociais, o juiz apareceu com uma camisa do time de futebol em audiência virtual de um processo, depois que o clube conquistou o Campeonato Paulista.

Não foi o único momento em que aproveitou para enaltecer o time. Em um acordo trabalhista, resolveu homenagear o clube, transcrevendo em ata da audiência parte da letra do hino: “Salve o tricolor paulista/ Amado clube brasileiro/ Tu és forte, tu és grande”.

Procurado, o magistrado não quis comentar sua situação. Em nota, o TRT de São Paulo informou que a investigação é feita em um processo administrativo disciplinar (PAD), aberto por decisão da maioria dos desembargadores do tribunal em 30 de agosto deste ano.

O profissional já foi investigado antes. No ano passado, ele virou alvo do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), pelo uso de “expressões inadequadas em registros de atos processuais”.

Essa investigação, que foi arquivada, analisou o fato de ele ter incluído em ata de audiência um comentário em que falava da “sanha exacerbada de determinações ‘de cima para baixo’ de realização de audiências de instrução por meio virtual ‘a todo custo’”.

Naquela ocasião, o magistrado reclamava de audiências virtuais de processos judiciais, pois considerava tal prática “claramente divorciada da realidade (…) em um país que impera a exclusão digital”.

Foi recomendado ao profissional que “se abstivesse de utilizar expressões inadequadas ou de faltar com a polidez”.

“Não cabe a julgador externar opinião ou crítica de caráter pessoal em ata de audiência ou em pronunciamentos oficiais do poder Judiciário”, acrescentou a corregedora-nacional de Justiça Maria Thereza de Assis Moura.

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