Jovem picado por escorpião durante Enem estudava até 14 horas por dia

Lucas Dias, de 17 anos, não conseguiu fazer a prova. Mãe do estudante revela frustração e diz que vai lutar pelos direitos dele

Goiânia – O estudante Lucas Dias, de 17 anos, picado por um escorpião durante o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), nesse domingo (28/11), na capital goiana, manteve nos últimos meses uma rotina dura de preparo e estudos para fazer a prova, e ficou frustrado com toda a situação.

Segundo a mãe dele, a delegada Alessandra Dias, que atua no 10º Distrito Policial (DP) de Goiânia, Lucas chegou a estudar até 14 horas por dia. O jovem sonha em ser aprovado para Medicina na Universidade Federal de Goiás (UFG).

O ocorrido surpreendeu a família e gerou um sentimento de revolta, frustração e dúvidas não só para Lucas, mas para a mãe dele também. “É inimaginável um negócio desse”, diz ela.

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Local da picada
Lucas Dias, no hospital
Jovem não pôde realizar a prova do Enem, em Goiânia, após ser picado por um escorpião

O estudante passa bem, mas precisou ser levado para o Hospital Estadual de Doenças Tropicais (HDT), em Goiânia, e não conseguiu fazer a prova. Ele pôde passar a noite em casa, acordou melhor nesta segunda-feira (29/11), mas, de acordo com a mãe, é como se “a ficha estivesse caindo”. “Senti ele mais baqueado hoje”, comenta.

Como tudo ocorreu

Lucas faria o exame numa das faculdades da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUCGO), no Setor Universitário. Ele chegou no horário, planejou tudo em casa para não correr o risco de se atrasar e aguardava o início da prova, na sala de aula, quando sentiu uma dor numa das pernas.

Estava sentado numa cadeira próxima à parede. No relato feito para a mãe, o jovem contou que percebeu a perna vermelha, mas nada que o fizesse imaginar que não seria possível fazer o teste. “Ele seguiu lá e chegou a pensar que era porque ele estava nervoso”, conta Alessandra.

Instantes depois, no entanto, a sensação foi piorando. “Era com se ele se arrepiasse e desse umas pontadas no local da picada”, descreve a mãe. Foi nesse momento que ele suspeitou de algo anormal e começou a checar em volta.

O escorpião estava encolhido e enrolado – “como se fosse uma bolinha”, relata a delegada – no canto da sala, próximo ao local onde ele estava sentado. Lucas foi até ele, pegou uma caneta, mexeu e ele se desenrolou.

Dúvidas sobre o direito de fazer a prova

Na manhã desta segunda-feira, a mãe buscou informações sobre os procedimentos que devem ser tomados para que Lucas possa ter o direito de fazer a prova.

Alessandra contou ao Metrópoles que o filho terá que acessar o site do Enem e protocolar um requerimento, narrando todo o ocorrido e, se possível, com provas documentais (fotos, vídeos, boletim de ocorrência, atestado médico etc.).

“A gente ainda corre o risco de não conseguir”, indigna-se a delegada. Caso a resposta do Ministério da Educação seja negativa, a mãe pretende entrar com ação na Justiça. “É um desgaste emocional e uma dor de cabeça muito grande”, diz ela.

Veja imagem de Lucas no hospital: 

“Uma coisa muito amadora”

Assim que o adolescente viu que se tratava de um escorpião, o Corpo de Bombeiros foi acionado, a coordenação do local de prova também e ele foi retirado da sala, sendo levado, em seguida, para o HDT. A mãe conta, no entanto, que encontrou o filho sozinho na porta da faculdade.

“Por volta das 13h38, ele me ligou e eu fiquei preocupada já, porque, pelo horário, era para ele estar fazendo a prova. A gente saiu desesperado de casa e ele estava lá, do lado de fora, sozinho. Ninguém ficou com ele. O bombeiro nem entrou para ver se achava o escorpião. Foi uma coisa tão amadora. Parece que um aluno matou, enrolou e jogou pela janela”, queixa-se.

No hospital, a médica que o atendeu explicou que a reação poderia ter sido pior, dependendo da idade. Se ele tivesse menos de 5 anos ou acima de 70 anos, o efeito da picada do escorpião poderia ser mais forte.