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Em sua última sessão no Supremo Tribunal Federal (STF) como procurador-geral da República, Rodrigo Janot afirmou que, apesar das opiniões contrárias, fez em seu mandato o que julgou melhor para o desenvolvimento da sociedade brasileira, ciente do preço que poderia ter de pagar por isso.

“Tenho sofrido nessa jornada, que não poucas vezes pareceu-me inglória, toda sorte de ataques. Resigno a meu destino porque, mesmo antes de começar, sabia exatamente que teria um custo enfrentar esse modelo político corrupto e produtor de corrupção, cimentado por anos de impunidade e de descaso”, registrou, em discurso, ao final da sessão plenária desta quinta-feira (14/9).

Janot disse aos ministros que militou “até o último instante” na defesa dos compromissos assumidos há mais de 30 anos como procurador. “A imagem que se revelou de nossa organização política é pungente. O Brasil, tal qual um paciente submetido a gravoso tratamento, convulsiona no processo curativo do combate à corrupção”, avaliou o PGR.

Mas tudo isso, para mim, já se encontra nos escombros do passado. Os mortos, então, deixai-os a seus próprios cuidados. As páginas da história hão certamente de contar com a isenção e verdade e o lado que cada um escolheu para travar sua batalha pessoal nesse processo."
Rodrigo Janot, procurador-geral da República

Apesar dos dissabores, Janot comemorou importantes posicionamentos assumidos pelo STF durante seus quatro anos de mandato, como a consolidação definitiva do poder investigatório do Ministério Público e o que chamou de “corajoso golpe desferido” contra “a crônica impunidade que castiga impiedosamente nossa sociedade”.

“Sinto-me como um espectador privilegiado que pôde assistir parte significativa da história do país se desenrolar tão de perto que, em certos momentos, cheguei a surpreender-me como coautor de um enredo complexo e de desfecho ainda imprevisível”, avaliou.

 

 

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