Investigações sobre Flávio Bolsonaro desaceleraram durante eleições

Entre agosto e novembro de 2018, período em que ocorreram as eleições, não foram realizadas movimentações significativas no caso Queiroz

Michael Melo/MetrópolesMichael Melo/Metrópoles

atualizado 12/02/2019 13:33

Entre os meses de agosto e novembro de 2018, época em que ocorreram as campanhas eleitorais por todo o país, as investigações do caso Queiroz entraram em processo de desaceleração. Segundo dados divulgados pelo Ministério Público do Rio de Janeiro e pela Folha de S.Paulo, durante esse período, o inquérito sobre as movimentações financeiras de Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), não teve nenhuma movimentação relevante.

A promotoria responsável pelo caso divulgou um histórico do processo. Entre o mês de janeiro e o dia 6 de agosto foram produzidos cinco relatórios financeiros. Em 30 de julho, o processo contava com apenas 37 páginas. Após a eleição de Flávio Bolsonaro ao Senado, em novembro, a investigação produziu mais de 300 páginas e ainda anexou ao processo um pen-drive e um DVD com conteúdo ainda não divulgado. Queiroz só foi chamado a prestar depoimento três semanas após as eleições, em 22 de novembro.

Uma possível explicação para a lentidão do processo durante esse período foi dada pelo procurador-geral da Justiça do Rio de Janeiro, Eduardo Gussem, que afirmou que o Grupo de Atribuição Originária Criminal (Gaocrim), responsável pela apuração do caso, estava envolvido com outras investigações que exigiam prisões e tinham prioridade durante o período eleitoral.

Outra razão para o atraso foi o relatório do promotor Cláudio Calo, que se declarou suspeito para investigar Flávio Bolsonaro.

O Gaocrim, responsável pela investigação de pessoas com foro especial, realizou cinco operações em 2018. Foram presos três prefeitos, dois presidentes de câmaras municipais e outras autoridades estaduais. Entre os meses de julho e novembro, o órgão realizou quatro dessas operações.

Entenda o caso
Queiroz começou a ser investigado quando o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou a movimentação de atípica de R$ 1,2 milhão entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017. Chamou atenção o fato de, além do volume de dinheiro, a movimentação ser feita com saques fracionados e depósitos de altas quantias em dinheiro vivo.

O Ministério Público Federal, no âmbito da Operação Furna da Onça, prendeu 10 deputados estaduais. A partir dessas prisões, o Coaf foi acionado a identificar movimentações atípicas de funcionários da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Com isso, foram identificados 74 funcionários, além de Fabrício Queiroz, vinculados a 22 gabinetes de deputados estaduais, envolvidos em movimentações financeiras suspeitas.

Em 3 janeiro de 2018 foi entregue à promotoria o relatório sobre o caso. Depois disso, a promotoria, em conjunto com o Coaf, produziu outros cinco levantamentos, sendo que o último foi concluído em 10 de maio de 2018. Mas apenas dois meses depois da entrega do documento foi publicada a portaria que instaurava a investigação.

A última movimentação do processo no período pré-eleitoral ocorreu em 6 de agosto. Em novembro Queiroz foi notificado a depor, tendo faltado a esse e a outros dois depoimentos marcados. Assim como o ex-assessor, outros funcionários de Flávio Bolsonaro na época, alguns parentes de Queiroz e o próprio senador não compareceram à promotoria para prestar depoimento sobre o caso.

O Gaocrim pediu ao Coaf um relatório ampliado, que compreendia as movimentações desde janeiro de 2007 até dezembro de 2018. Os investigados eram Flávio Bolsonaro, Queiroz, as filhas de Queiroz Nathália e Evelyn Queiroz, a esposa de Queiroz, Márcia de Oliveira, entre outros.

Por liminar do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), o procedimento foi suspenso em 17 de janeiro. Em 1º de fevereiro, o ministro Marco Aurélio Mello autorizou a retomada das investigações.

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