Índios Yanomami impedem a saída de profissionais de saúde em aldeia

Ministério da Saúde afirma que as equipes não foram sequestradas pelos indígenas e seguem realizando suas atribuições diárias

atualizado 17/09/2018 23:09

YanomamiLeonardo Prado/ PGR

O Ministério da Saúde confirmou nesta segunda-feira (17/9) que 21 servidores, além de quatro pilotos, foram impedidos por índios Yanomami de retornar à base e estão em uma aldeia na região de Surucucu, município de Alto Alegre, no norte de Roraima. Os indígenas retiveram as três aeronaves usadas pelos profissionais, prestadores de serviço de atendimento à saúde nas aldeias. Eles fazem parte da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) do ministério.

Segundo o governo, as equipes não foram sequestradas pelos indígenas e seguem realizando suas atribuições diárias, estando em seus alojamentos. “Nenhum profissional foi retido ou preso pelos indígenas e não há descontinuidade nos atendimentos”, informou o Ministério da Saúde, em nota.

A manifestação dos indígenas ocorre após a morte de duas crianças menores de um ano na região. Um recém-nascido de 29 dias morreu, segundo o governo, em decorrência de broncoaspiração (por regurgitação), no último dia 31.

Um outro bebê, de 12 dias, também morreu neste domingo (16), aparentemente em virtude de complicações decorrentes de uma pneumonia. O ministério lamentou a morte das crianças e informou que os dois casos são de “investigação obrigatória”.

Exigência
Segundo informações locais, os indígenas exigem a saída do coordenador do Distrito Sanitário Especial Indígena Yanomami (DSEI-Y), Rousicler de Jesus Oliveira. Ainda de acordo com a nota divulgada pelo Ministério da Saúde, a nomeação de cargos de livre provimento é atribuição exclusiva do Poder Executivo.

A pasta também disse manter “o compromisso de continuar trabalhando em diálogo constante com as lideranças para a ampliação e a qualificação das ações de saúde de todos os indígenas brasileiros, garantindo o pleno exercício do controle social”.

Ainda conforme a pasta, o atendimento na região é realizado por intermédio de duas equipes multidisciplinares, formadas por dois enfermeiros, 13 técnicos de enfermagem e dois médicos, para atender a um total de 40 aldeias. A região também conta com um helicóptero para dar assistência aos deslocamentos das equipes.

Nesta segunda, o DSEI encaminhou uma aeronave para a região para realizar a remoção de dois pacientes, acompanhados de um enfermeiro, já presente em Boa Vista. As ações de saúde desenvolvidas pela Sesai atendem, segundo o governo federal, a cerca de 700 mil indígenas, pertencentes a 305 etnias e espalhados por 5,7 mil aldeias em todo o país.

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