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Nesta semana, o governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, deu ao programa É Notícia, da RedeTV, uma longa entrevista sobre a intervenção federal decretada na segurança pública do estado e afirmou ter sido o responsável pela opção por essa saída à violência urbana. A Lupa conferiu algumas das informações que ele citou. Veja o resultado:

FÁBIO MOTTA/ESTADÃO CONTEÚDO


“O estado sempre teve índices de criminalidade muito maiores do que tem hoje”.
Governador do RJ, Luiz Fernando Pezão, em entrevista concedida à RedeTV no dia 27 de fevereiro

Em 2017, alguns índices de criminalidade monitorados pelo Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro (ISP-RJ) bateram recorde no estado. É o caso, por exemplo, do número total de roubos. No ano passado, foram 230 mil registros. Na série histórica do ISP, que começa em 2003, a média é de 139 mil casos por ano. Com Pezão no governo, essa média subiu para 186,2 mil ocorrências ao ano.

Roubos de cargas, de aparelhos celulares, de veículos e em coletivos também tiveram, em 2017, o pico da série histórica. Foram 10.599 registros de roubos de cargas, 24.387 de celulares, 54.367 de veículos e 15.283 ocorrências em coletivos.

A letalidade violenta – indicador estratégico do ISP que soma os homicídios dolosos e decorrentes de intervenção policial, os casos de latrocínio e de lesão corporal seguida de morte – chegou a 6.731. O total não era tão alto desde 2009, quando foram registradas 7.106 ocorrências.

Procurado, Pezão citou apenas um índice. Segundo a assessoria do governador, de 2006 – quando o político ainda era vice-governador do Rio – para 2017 houve uma queda na taxa de homicídios dolosos. O total de registros passou de 6.323, em 2006, para 5.332 casos no ano passado.

 

“Nós diminuímos índices de homicídios”.
Governador do RJ, Luiz Fernando Pezão, em entrevista concedida à RedeTV no dia 27 de fevereiro

Segundo o Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro (ISP-RJ), a letalidade violenta – categoria que engloba homicídios dolosos e decorrentes de intervenção da polícia, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte – cresceu no período em que Pezão passou a governar o estado.

Em 2014, 5.720 pessoas foram mortas. Em 2015, houve redução: 5.010 homicídios. Mas, em 2016, as mortes voltaram a subir: 6.262 ocorrências registradas. A alta se manteve em 2017, quando o total atingiu 6.731. Ou seja, o número de mortos de forma violenta e intencional no estado cresceu, e não diminuiu, durante a gestão de Pezão.

Após dizer essa frase, o governador foi questionado pela entrevistadora, que pontuou o crescimento dos índices de violência nos últimos anos. Pezão disse, somente então, que o número de homicídios “depois voltou a crescer”.

Procurado, Pezão afirmou que a taxa de homicídios dolosos diminuiu de 2006 – 6.323 casos – para 2017 – 5.332 registros. A partir de 2006, ele era vice-governador do Rio de Janeiro, ainda na gestão de Sérgio Cabral. Mas Pezão desconsidera que, apesar da diminuição nos números na comparação de um ano com o outro isoladamente, há um aumento constante nas ocorrências nos últimos três anos, ou seja, desde que ele efetivamente assumiu o Palácio da Guanabara efetivamente.

 

“Somos a 23ª capital em índices de violência”.
Governador do RJ, Luiz Fernando Pezão, em entrevista concedida à RedeTV no dia 27 de fevereiro

Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Rio de Janeiro é, na verdade, a 21ª capital mais violenta do Brasil, se considerada a taxa de crimes violentos letais intencionais (CVLI) por 100 mil habitantes a cada ano. Esse dado engloba homicídios dolosos, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte.

Na cidade do Rio de Janeiro, em 2016 (dado mais recente disponível) a taxa foi de 22,3 por 100 mil habitantes. Em Campo Grande (MS), capital que ocupa a 23ª posição citada por Pezão, a taxa foi de 18,4 homicídios a cada 100 mil habitantes.

De acordo com o Fórum, estão melhores que a capital fluminense: Brasília (DF), Campo Grande (MS), Florianópolis (SC), Boa Vista (RR), Vitória (ES) e São Paulo (SP). Todas as outras capitais tiveram um 2016 mais violento do que o Rio.

Procurado, Pezão confirmou que o Rio de Janeiro aparece na 21ª posição no ranking das capitais mais violentas.

 

“Durante a crise econômica, nós já apreendemos mais de 600 fuzis”.
Governador do RJ, Luiz Fernando Pezão, em entrevista concedida à RedeTV no dia 27 de fevereiro

Desde que o Governo do Estado do Rio de Janeiro decretou estado de calamidade, no meio de 2016, o número de fuzis apreendidos somou 751 armas (aqui e aqui), segundo dados do Instituto de Segurança Pública do RJ (ISP-RJ). Somente em 2017, foram apreendidos 499 fuzis no RJ. Só na capital fluminense foram 370. Vale ressaltar que o número de fuzis apreendidos aumentou nos últimos cinco anos.
Com reportagem de Natalia Leal, Nathália Afonso e Chico Marés