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Ser honesto, controlar os gastos públicos, conhecer os problemas do país e estar familiarizado com assuntos econômicos, ter experiência como prefeito ou governador e acreditar em Deus. Esse deve ser o perfil do próximo presidente da República, segundo a pesquisa inédita Retratos da Sociedade Brasileira – Perspectivas para as eleições de 2018, divulgada nesta terça-feira (13/3). Feito pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com o Ibope, o levantamento ouviu 2 mil pessoas, em 127 municípios.

Na pesquisa, os entrevistados indicam qual deve ser o foco do próximo presidente, as características pessoais e profissionais que buscam nos candidatos, quais partidos políticos têm mais simpatia, entre outras informações. Para a grande maioria dos brasileiros (92%), é importante ou muito importante que o controle de gastos públicos esteja na pauta dos postulantes ao cargo.

De acordo com os entrevistados, em relação ao que tem de constar no currículo do candidato, os destaques foram: ter conhecimento dos problemas enfrentados pelo país (89%) e possuir experiência em assuntos econômicos (77%). Atuações como prefeito ou governador também têm grande peso na escolha dos brasileiros: 72% concordam que devem estar na experiência profissional do presidenciável.

Entre as prioridades do próximo presidente, a promoção de mudanças sociais, com melhoria da saúde, educação, segurança e desigualdade social, deve ser a principal, conforme 44% dos brasileiros entrevistados.

Em segundo lugar, com 32% dos votos, aparece a moralização administrativa, com combate à corrupção e punição de corruptos. Um contingente menor de pessoas acredita que, entre as três opções apresentadas, a prioridade deve ser a estabilização da economia, com queda definitiva do custo de vida e do desemprego (21%).

Honestidade e crença
Entre os aspectos pessoais, o mais importante é ser honesto e não mentir em campanha, com 87%. Nunca ter se envolvido em casos de corrupção vem em seguida, com 84%. Ao mesmo tempo, a maioria dos brasileiros, ou 75%, não acredita nas promessas dos políticos.

Praticamente 8 em cada 10 eleitores (79%) concordam totalmente ou em parte ser importante que o candidato a presidente acredite em Deus. Mas somente 29% das pessoas disseram considerar relevante o fato de o político ser da mesma religião delas.

A preferência de 52% dos entrevistado é por candidatos de família pobre. Para 8%, isso é indiferente e 38% discordam em parte ou totalmente.

Corrupção e pessimismo
O pessimismo referente às eleições tem grande significado entre os brasileiros, já que 44% se sentem assim em relação ao pleito presidencial. Outros 23% não estão otimistas nem pessimistas, 20% estão otimistas e 13% não souberam responder.

O principal motivo para os eleitores se sentirem pessimistas é a corrupção – apontada por 30% em pergunta com resposta espontânea. Questionados sobre votar em um candidato acusado de ser corrupto, mas que tenha o mesmo alinhamento ideológico que os brasileiros, 79% dos entrevistados discordaram.

Dos 20% da população que se dizem otimistas, 32% afirmam acreditar na mudança e na renovação, 19% têm esperança no voto e na participação popular.

A grande maioria (72%) vota no candidato que mais gosta, independentemente do partido. Entre as legendas, o PT é o que tem o maior percentual de apoiadores, com 19%. MDB (7%) e PSDB (6%) vem em seguida.

A pesquisa foi realizada entre os dias 7 e 10 de dezembro de 2017 e possui margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.