GO: trio é indiciado por enganar idoso para obter fazenda de R$ 100 mi

Terra de 5,8 mil hectares fica na Chapada; advogados e veterinário respondem por estelionato, associação criminosa e falsidade ideológica

atualizado 30/04/2021 21:09

Estrada Alto Paraiso - São JorgeGiovanna Bembom/Metrópoles

Goiânia – A Polícia Civil de Goiás indiciou três pessoas por associação criminosa, falsidade ideológica e estelionato, por ludibriarem um idoso de 79 anos, semianalfabeto e que já sofreu um AVC, com o objetivo de ganharem ao menos parte de uma propriedade rural na Chapada dos Veadeiros. A fazenda é avaliada em R$ 100 milhões.

O caso, que está tramitando, inclusive, na Justiça, teve andamento recente, quando foi confirmada a posse da propriedade a Ciriaco Francisco dos Santos. O fato foi divulgado com exclusividade pelo Metrópoles, mostrando que após a vitória judicial do idoso, ao menos outras seis pessoas se manifestaram no processo como donas do imóvel.

A Fazenda Buriti tem 5.808 hectares e está localizada no município do São João D’Aliança, conhecido como o Portal da Chapada dos Veadeiros.

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Segundo informações da Polícia Civil, a investigação teve início após a mudança abrupta de procuradores em um processo de reintegração de posse que já dura quase 20 anos. Foram indiciados dois advogados e um veterinário, que atuava com a dupla. Os nomes deles não foram divulgados.

A defesa da família que disputa as terras com o idoso, notando as manobras jurídicas incomuns no processo, também alertou o juiz do caso de que o homem poderia estar sendo vítima de algum golpe. O magistrado, então, desconfiou da situação e acionou o Ministério Público do Estado de Goiás (MPGO) para que pedisse uma investigação.

Por isso, e com determinação judicial, a Polícia Civil deu início às diligências e descobriu a ação da associação criminosa.

Entenda

A delegada responsável pelo caso, Bárbara Buttini, declarou ao Metrópoles que o idoso enganado é muito vulnerável e foi ludibriado pelo trio. Em linhas gerais, ela afirmou que os homens convenceram o senhor a assinar diversas procurações, concedendo plenos poderes para os integrantes da associação criminosa, para que eles realizassem negócios fraudulentos, com vantagens ilícitas, sem o conhecimento da vítima e dos prejuízos causados.

De acordo com a delegada, a única intenção do idoso é reaver as terras envolvidas no processo, sem precisar negociar com a parte contrária. No entanto, o trio enganava a vítima e negociava com a outra parte para que o idoso não fosse reintegrado.

“Eles faziam isso com o objetivo de ganhar umas terras que eles pleiteavam com a parte contrária e que eles haviam perdido em 2014. Essa terra também pertencia a um idoso, de 77 anos, analfabeto e que, ao que tudo indica, também sofreu um golpe”, disse Bárbara Buttini.

Segundo ela, o homem de 77 anos, pressionado pelo trio, assinou uma confissão de dívida, no valor de R$ 3,6 milhões, sem qualquer origem, o que ela classificou de dissimulação de negócio jurídico, e a dívida foi paga com a fazenda.

“Três meses depois negociação, esse segundo idoso morreu, e o acordo deles era extinguir o processo sem que o primeiro idoso fosse reavido nas terras. Dessa forma, os indiciados ficariam com a fazenda”, declarou.

Ainda conforme Buttini, os integrantes da associação criminosa faziam as vítimas assinarem procurações e documentos em diferentes estados, procurações ideologicamente falsas, passando as terras para eles, que entravam na Justiça querendo a terra, sem o conhecimento da vítima.

Prisão

Caso os indiciados sejam condenados, eles podem ficar presos por até 23 anos. Questionada sobre a possível detenção do trio (que não foi preso), a delegada afirmou que, neste momento, o principal é o bem da vítima. “O processo tem quase 20 anos. O que a vítima quer? Ela só quer ser reavida nas terras. Então quanto mais rápido a gente der uma solução para que ele possa ser reintegrado, melhor”, declarou.

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