Empregados de call center que atende a Caixa: “Falta até sabão”

Funcionários se queixam da falta de limpeza nas mesas de atendimento, que são rotativas, além da falta de ventilação natural nas salas

Funcionários de uma empresa que fornece serviços de telemarketing à Caixa Econômica Federal relatam más condições de higiene durante trabalho presencial em época de pandemia de coronavírus. Além da distância entre as mesas não ser de, no mínimo, 1,5 metro – como recomenda o Ministério da Saúde – reclamam da falta de álcool em gel e de sabonete nos banheiros da firma.

O nome da empresa é BS Service e seu contrato com o banco estatal é de R$ 105 milhões por 24 meses. Funcionários ouvidos pelo Metrópoles contam que, até o começo da semana, a empresa só liberou gestantes do trabalho em meio ao aumento do contágio do novo Covid-19. Até essa segunda-feira (23/03), havia pelo menos 1.891 casos e 34 mortos em decorrência da enfermidade. Entretanto, havia pessoas do grupo de risco com doenças crônicas – como bronquite e asma – que não foram liberadas de ir ao trabalho.

Outra reclamação dos funcionários é sobre a higienização nas mesas de atendimento. Uma funcionária, que preferiu não ser identificada com medo de retaliações, falou à reportagem que os postos são rotativos. Ou seja, todos compartilham as mesas, os computadores e os telefones. Sob o risco de serem infectados com o vírus, levam de casa os próprios produtos.

A recomendação da pasta da Saúde é manter as mãos frequentemente limpas, seja por sabão ou por álcool em gel, além de superfícies de contato, porque o vírus sobrevive por tempos distintos a depender do material. Para combater o contágio, é necessário ainda manter um distância preventiva de outra pessoa, porque muitas vezes a infecção é assintomática.

“Estamos indo trabalhar e ficando aglomerados. Não tem ventilação além do ar-condicionado, portas de saída de emergência lacradas por braçadeiras e mesas que não respeitam a distância exigida”, queixou-se outro funcionário, que também não quis ter a identidade revelada. Como não são servidores, eles não têm estabilidade no trabalho e podem ser demitidos como qualquer trabalhador da iniciativa privada.

O outro lado
Ao Metrópoles, a empresa informou que “preza pela qualidade de vida dos colaboradores e, em épocas de crise, como a da pandemia, aumentou ainda mais os cuidados seguindo todas as orientações do Ministério da Saúde e Organização Mundial da Saúde (OMS)”.

Ela afirmou que medidas foram adotadas para manter a segurança dos empregados, como o “afastamento de todas as funcionárias grávidas, dos colaboradores com mais de 60 anos e das pessoas com doenças crônicas; o reforço na limpeza de todas as instalações do call center; o distanciamento entre os funcionários; e o envio de comunicado com as orientações de prevenção do COVID-19”.

A empresa disse ainda que a central dispões de sabão líquido e, devido à falta de álcool em gel no mercado, ele foi substituído por álcool líquidos 70%. Além de ter reforçado o estoque de todos os produtos de limpeza para garantir a higiene do local.

“Reforçamos que, em época de pandemia, alguns serviços não podem ser suspensos, entre eles o Call Center. Nossa atividade foi classificada pelo Governo Federal como essencial, de acordo com o Decreto 10.282”, justificou.

“A BS Service  é feita por pessoas e sabemos que cada um tem um papel muito importante para mitigar a propagação do vírus no Brasil. Temos consciência da importância do nosso papel como geradores de renda de mais de 1.000 famílias da capital, mas maior que isso nesse momento é a saúde mundial”, completou.

Contrato
O contrato da BS Service, firmado com a Caixa por meio de um pregão eletrônico, foi publicado no Diário Oficial da União, na edição do dia 21 de maio de 2019. A vigência do contrato é de dois anos e tem fim em 16 de maio de  2021.

Entre os serviços prestados pela empresa, cujo nome oficial é BS Tecnologia e Serviços LTDA, estão o atendimento de multisites (localidades de serviços interligadas), tratamentos de ocorrências de produtos e sistemas do banco e tratamento de informações gerenciais e as atividades acessórias na Centralizadora Nacional de Atendimento em Telesserviços em Brasília.

Questionada, a Caixa enviou uma nota à reportagem:

A CAIXA informa que a rotina de limpeza das unidades onde funcionam os call centers será intensificada, passando de três para seis vezes ao dia, sendo realizada nas trocas de turno e em todos os demais períodos de trabalho.

 Sobre a distância entre prestadores, o layout da unidade está em acordo às exigências legais e, em virtude da pandemia COVID-19, o gestor determinou a redução de efetivo, ficando desocupada a estação de trabalho existente entre 2 mesas, a fim de garantir o espaço mínimo determinado pelo Ministério da Saúde.