Embaixada da Ucrânia pede reunião com Lula após críticas a Zelensky

Em entrevista para a revista Time, Lula disse que o ucraniano Volodymyr Zelensky tinha "tanta culpa" quanto Putin pela guerra

atualizado 05/05/2022 21:02

As críticas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, incomodaram o governo do país, que enfrenta uma guerra imposta pela Rússia. O encarregado de negócios da embaixada da Ucrânia em Brasília, Anatoliy Tkach, disse a jornalistas, na tarde desta quinta-feira (5/5), que pretende chamar o pré-candidato do PT à Presidência para uma reunião para explicar a ele “os fatos da invasão da Ucrânia”.

Em entrevista para a revista Times publicada na última quarta-feira (4/5), Lula comentou sobre a guerra e criticou o ucraniano. “Às vezes, fico vendo o presidente da Ucrânia na televisão como se estivesse festejando, sendo aplaudido em pé por todos os parlamentos, sabe? Esse cara é tão responsável quanto o Putin. Porque numa guerra não tem apenas um culpado”, disse Lula.

“O Saddam Hussein era tão culpado quanto o (ex-presidente norte-americano George) Bush. Porque o Saddam Hussein poderia ter dito: ‘Pode vir aqui visitar e eu vou provar que eu não tenho armas’. Ele ficou mentindo para o seu povo. Agora, esse presidente da Ucrânia poderia ter dito: ‘Olha, vamos deixar para discutir esse negócio da Otan e esse negócio da Europa mais para frente. Vamos primeiro conversar um pouco mais”, sugeriu Lula.

O encarregado de negócios da embaixada da Ucrânia respondeu as declarações de Lula alegando que os russos atacam a Ucrânia e incentivam o separatismo de regiões no leste do país há vários anos, desde antes de qualquer negociação da Ucrânia com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). “Considero impossível comparar responsabilidade do agressor e da vítima”, disse o diplomata.

Para Anatoliy Tkach, Lula deu suas declarações por desconhecimento. O diplomata disse que a embaixada já procurou o PT para pedir uma reunião com o ex-presidente, mas ainda não teve resposta. Veja a declaração do diplomata:

Mais lidas
Últimas notícias