Em carta, professor que usou roupa da Ku Klux Klan pede desculpas

Segundo ele, o episódio foi "um grande mal-entendido" e o objetivo era divulgar peça sobre racismo; professor foi afastado do cargo

atualizado 23/12/2021 18:43

Reprodução

São Paulo – O professor de história que foi visto usando roupa da Ku Klux Klan – grupo supremacista branco dos EUA – dentro de uma escola em São Paulo, divulgou uma carta com pedido de desculpas nesta quarta-feira (22/12).

De acordo com Luiz Antonio Bortollo, de 71 anos, o episódio foi “um grande mal-entendido criado na festa de final de ano na Escola Estadual Amaral Wagner”, em Santo André, São Paulo.

Segundo ele, após a gravação de vídeo, em 8 de dezembro, professores e alunos foram convidados a se fantasiar na festa. Ainda segundo o professor, o intuito foi divulgar uma peça que seria feita em 13 de maio de 2022, dia em que foi decretada a libertação dos escravos no país, com a Lei Áurea.

“No dia 8 de dezembro, na festa de final de ano da escola, professores e alunos foram convidados a vir fantasiados. Nesse momento, no desejo de me alinhar aos alunos, já fantasiados, peguei a veste da KK Klan que estava em meu armário e a vesti, para divulgar a nossa peça teatral, que seria apresentada na semana do 13 de maio, por ocasião da libertação formal dos escravos. Neste momento, fui filmado por celular e essa filmagem gerou a denúncia contra mim, por pessoas que desconheciam o contexto”, disse o professor.

Bortollo afirma ainda que a peça denunciava o racismo e já havia sido apresentada em outra escola em que trabalha. Mas que, em razão da pandemia, o espetáculo na Escola Estadual Amaral Wagner não pôde ser realizado anteriormente.

Na carta, o professor também afirma ter “asco por racistas facínoras” e que usa a cadeira de professor de História para “combater e denunciar o racismo”.

“Fiquei pouquíssimo tempo vestido com tais vestes, porque de fato não faria sentido permanecer com elas mais tempo. Peço aqui desculpas sinceras pelo choque causado, mas reitero que a intenção era a divulgação da nossa peça teatral. Porque de fato a simples visão da indumentária desses racistas facínoras, a quem eu repudio, é digna de asco. Muitos dos meus alunos entenderam perfeitamente o que aconteceu”, diz.

“Aproveito para reafirmar meu firme propósito de continuar fazendo de minha atividade como professor um instrumento de desenvolvimento de consciências críticas, de pessoas que possam combater com firmeza, entre outras pragas, o racismo estrutural que infelizmente ainda se faz presente em nossa sociedade”, completa.

Inquérito

Por conta do episódio registrado na escola, um inquérito foi aberto na 2ª Delegacia de Polícia de Santo André. Bortollo deveria prestar depoimento nesta quinta-feira (23/12), mas o advogado do homem, Aldo Moreira, informou ao G1 que ele não teve condições de comparecer.

De acordo com o advogado, o professor passa por um tratamento de câncer de próstata e teve um pico de pressão. Durante a madrugada, precisou ir para o hospital.

Moreira também declarou que, após o episódio, o professor começou a sofrer ameaças e teve que abandonar a casa em que vive com a família. Um boletim de ocorrência sobre as ameaças também foi registrado no 4º DP de Santo André. 

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