Em Campinas (SP), campanha entre antigos aliados se acirra na reta final

Dario Saadi (Republicanos) e Rafa Zimbaldi (PL) estiveram ligados ao prefeito Jonas Donizette (PSB), mas se enfrentam em corrida dura

atualizado 25/11/2020 21:46

Funcionários do TRE preparam urnas eletrônicas para o dia das eleições de 202012Rafaela Felicciano/Metrópoles

São Paulo – Campinas, terceira maior cidade paulista e lar de um milhão de pessoas, é palco de uma das campanhas mais disputadas do estado nessas eleições municipais de 2020. A luta é pela sucessão do prefeito Jonas Donizette (PSB) e ambos os candidatos que estão no segundo turno estiveram ligados à sua gestão, mas houve um rompimento – nos meses anteriores ao pleito – que tem se ampliado, jogando a rica cidade em uma corrida eleitoral acirrada na qual denúncias e acusações estão pipocando nesta reta final.

Prefeito mal avaliado (aprovado por 26% e desaprovado por 66%, segundo pesquisa Ibope divulgada nesta semana), Donizette optou por apoiar Dario Saadi (Republicanos), médico que foi secretário de Esporte em sua gestão.

No outro lado, disputa Rafa Zimbaldi (PL), vereador que foi líder de Donizette na Câmara e era do PSB, partido do atual prefeito, mas rompeu com o grupo político e se lançou candidato. Como resultado, Zimbaldi tem sido alvo frequente de críticas do prefeito e ex-aliado.

Na campanha de primeiro turno, Zimbaldi chegou a liderar as pesquisas, mas chegou em segundo na eleição do último dia 15 de novembro, com 21,86% dos votos. Saadi chegou na frente com 25,78%, menos de 20 mil votos de diferença.

Segundo pesquisa Ibope para o 2º turno em Campinas divulgada pela Globo na última segunda (23/11): no momento Saadi tem 40% e Rafa Zimbaldi, 33%, enquanto brancos e nulos somam 22%; e5% não sabem ou não responderam. Os eleitores devem ir às urnas no próximo domingo, dia 29, portanto, com o resultado em aberto.

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Legado ruim

Além da baixa aprovação, denúncias relativas à administração de Donizette têm pesado contra seu candidato. Em outubro último, a prefeitura anunciou uma regularização fundiária de 5 mil unidades no residencial Paranapanema, área carente da cidade.

Assessores de um vereador teriam chegado a distribuir documentos que seriam a regularização dos lotes, mas a medida está ganhando ares de escândalo porque o cartório da cidade não aceita os papéis e informa que o local não tem licença ambiental nem teve os lotes individualizados, estando o processo de regularização ainda em andamento.

Saadi também enfrenta seus próprios problemas. Ele é alvo de uma representação do Ministério Público Eleitoral, acusado de compra de votos. Os promotores acusam o político, que é médico urologista, de ter dado consultas gratuitas a moradores de um condomínio em setembro deste ano. Ele nega as acusações.

O cenário parece, portanto, favorável para o desafiante Zimbaldi, mas o candidato – que é o favorito do governo tucano do estado – sofre com o pouco tempo para virar o jogo.

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