Após 1º turno, ouvidoria de direitos humanos registrou 38 denúncias

De acordo com levantamento, a maior parte das ocorrências se refere a agressões contra nordestinos, homossexuais e negros

Giovanna Bembom/Metrópoles

atualizado 16/10/2018 10:52

Por meio do Disque 100, a Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos registrou 38 denúncias de violações relacionadas às eleições nas duas últimas semanas. A maioria das notificações se refere a ofensas e perseguição a homossexuais, preconceito com negros e ataques contra nordestinos. Em todos os casos monitorados, discussões a respeito da disputa presidencial estão presentes. Os dados foram levantados pelo Ministério dos Direitos Humanos a pedido do jornal O Globo.

De acordo com a pesquisa, entre os estados com mais ocorrências, estão São Paulo (10 notificações), Bahia (8) e Paraná (6). Somente a região Norte não tem registros. A pasta informou que repassou as notificações ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), bem como aos demais órgãos competentes.

Após o primeiro turno das eleições, o canal de denúncias detectou uma escalada de agressões contra nordestinos, a maioria em meio virtual. Segundo o levantamento, agressões se tornaram frequentes pelo fato de a região ter dado vitória ao candidato do PT, Fernando Haddad. Casos de violência verbal e física, principalmente contra gays, também foram registrados. Ao menos 14 agressões partiram de apoiadores declarados do candidato Jair Bolsonaro (PSL).

Segundo a reportagem, um estudante procurou o Disque 100 porque diz sofrer há cerca de dois meses violência física e psicológica de um aluno da escola onde estuda. A vítima contou ser agredida diariamente com xingamentos, enforcamento e puxões de cabelo. O agressor o chama de “viado”, “bicha” e “diz que vai matar tudo igual o Bolsonaro”, aponta a denúncia. O adolescente diz ter medo de procurar a polícia porque o algoz anda armado.

Outros dois estudantes relataram que começaram a sofrer perseguição de um professor devido à orientação sexual. Embora um deles use nome social nos registros escolares, com a permissão da instituição, o docente insiste em chamá-lo pelo nome de batismo e diz que “quer que o candidato dele ganhe a eleição para acabar com os homossexuais”, diz a denúncia. O caso, ainda conforme o relato, já foi informado à direção do colégio, sem nenhuma providência tomada.

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