Seu bolso: veja como organizar financeiramente uma viagem em 2021

Organização Mundial do Turismo (OMT) se mostra otimista com recuperação do setor com o arrefecimento da crise do novo coronavírus

A crise econômica e sanitária causada pela pandemia do novo coronavírus reduziu o número de turistas que visitaram outros países em 44% no primeiro trimestre deste ano. Já em abril, a queda chegou a 97% em comparação com o mesmo mês do ano passado.

Isso significa que o mundo perdeu 182,2 milhões de turistas nos primeiros quatro meses desse extraordinário ano de 2020 quando comparado ao mesmo período de 2019. Os dados, divulgados no fim de junho, são da Organização Mundial do Turismo (OMT).

A OMT, porém, indica uma retomada do setor: 22% de 141 destinos analisados reduziram as restrições de viagem até 15 de junho. “Um número crescente de destinos está começando a diminuir as restrições que introduziram em resposta à pandemia”, disse o secretário-geral da organização, Zurab Pololikashvili.

Pololikashvili ressaltou, em seguida, que a retomada do setor não deve ser feita do dia para a noite, mas gradual. “Isso deve ser feito de maneira responsável. Esta crise não acabou”, completou o secretário-geral.

Aproveitando o sentimento positivo no setor e a esperança na retomada, o Metrópoles ouviu especialistas e preparou alguns passos sobre como aproveitar a quarentena para planejar financeiramente uma viagem em 2021.

  1. Planeje com antecedência (e detalhes): o primeiro passo a cumprir, como de praxe, é o planejamento. Definir o lugar de destino e a data da viagem é essencial, assim como quanto se pretende gastar. Isso pode ser feito no papel ou no celular, mesmo. O planejador financeiro CFP Janser Rojo, da Associação Brasileira de Planejadores Financeiros (Planejar), recomenda que “quanto antes, melhor” para iniciar essa preparação.
  2. Defina suas metas: com os detalhes em mãos, é preciso calcular e se organizar, ou seja, entender o que pode e o que não pode ser feito. Assim, é possível definir, por exemplo, quanto será gasto e quanto é preciso economizar até o data da viagem. “A questão é ter mais clareza do seu objetivo. Quais são as metas?”, questiona Janser Rojo.
  3. O momento é… o quanto antes, melhor: o planejador financeiro aponta para uma oportunidade a ser aproveitada durante a quarentena: os preços baixos. No acumulado do ano, as passagens aéreas sofreram uma deflação de 39%, segundo o IBGE. Isso quer dizer que adiantar a compra do pacote de viagem tende a ser vantajoso. Rojo diz que pode ser favorável até mesmo parcelado.
  4. Invista: guardar o dinheiro é bom, mas melhor ainda é investir. Isso porque traz uma rentabilidade. “Se a pessoa tem um prazo de um ano para se preparar, então divide o dinheiro a ser economizado por 12 e coloca em um investimento seguro e médio prazo, porque, quando chegar a hora de retirar, vai ter até um pouco do planejado”, diz Rojo.
Dólar

Para quem deseja realizar uma viagem internacional, é preciso ficar atento à cotação das moedas, como o dólar. A moeda norte-americana acumula alta superior a 33% no ano e tem oscilado bastante frente ao real em meio à crise política e econômica sob o presidente Jair Bolsonaro.

O sócio da startup Melhor Cambio, Alexandre Monteiro, explica que, com a queda da taxa Selic, a tendência é de que o dólar se mantenha alto. Ele ressalta, no entanto, que não há a melhor hora para comprar moeda, seja qual for. Dessa maneira, é preciso, mais uma vez, planejamento.

Ele recomenda não comprar tudo de uma vez, tampouco fazer isso na véspera da viagem. Isso é bastante arriscado, uma vez que não é possível prever com exatidão o valor do dólar em determinado período, o que pode resultar em uma grande perda.

A recomendação é para que se compre um pouco por mês, sempre em intervalos regulares. “Em vez de arriscar e comprar aleatoriamente, na alta ou na baixa, dessa maneira é possível fazer uma média”, diz o especialista. Acompanhe aqui as cotações no dia a dia.

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Foto: Hugo Barreto/Metrópoles
Michael Melo/Metrópoles
Auxílios financeiros estão sendo distribuídos no país devido à pandemia do novo coronavírus