“Reforma mais ou menos pode ser ducha de água fria”, diz Armínio Fraga

Ex-presidente do BC disse que a situação do país é "de alto risco e exige comprometimento de todos do governo"

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atualizado 11/01/2019 21:33

O ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga, disse nesta sexta-feira (11/1) que é fundamental que o governo Bolsonaro resolva o problema da Previdência de maneira impactante. “Uma reforma mais ou menos pode ser uma ducha de água fria (no mercado)”, afirmou.

Fraga, que participou do o lançamento da coleção História Contada do Banco Central do Brasil, considera a Previdência o maior item do lado dos gastos do governo.

A Previdência é, de longe, o maior item na despesa, por isso é fundamental que a reforma seja impactante. Acredito que, se assim for feito, as coisas melhoram bastante. Caso não, isso impõe um peso muito grande no resto e as tensões vão crescer muito

Armínio Fraga, economista

A questão da Previdência precisa ser resolvida de forma impactante. Uma reforma mais ou menos pode ser uma ducha de água fria (no mercado)

“Acho que o que precisa fazer é acertar o lado fiscal. Não há Banco Central que resista a uma situação fiscal como a nossa. Esta situação é muito grave e urgente. O governo federal está mal das pernas e a maioria dos estados está quebrado”, analisou o economista.

Prioridade
O economista e professor da PUC-Rio, Gustavo Franco, também ex-presidente do BC, salientou que a reforma da Previdência deve ser a prioridade da pauta e que o governo deve ser arrojado e colocar com clareza para o país o tamanho do problema e sua solução.

“Fazer pela metade no resolve. Não é bom”, avalia. Ele diz que está vendo com muita expectativa “e com moderado otimismo” as políticas econômicas do governo Bolsonaro.

“Acho que já chegamos a um ponto de mudança de agenda que em si é espetacular. A fase que vai se iniciar em fevereiro, quando o congresso novo estiver instalado, é a fase de entrega “, afirmou Franco à Agência Brasil.

Gustavo Franco almoçou hoje com o ministro da Economia, Paulo Guedes, mas esquivou-se de dizer se houve algum convite para assumir um cargo no atual governo “Fui almoçar com grande amigo e trocar impressões. Só isto, esquivou-se”.

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