Mercado abre segunda-feira sob efeito de ameaças de Bolsonaro

Ao menos três gestoras de investimento convocaram clientes para discutir situação da Petrobras, XP já recomendou venda de ações

atualizado 22/02/2021 9:08

Petrobras - SedeFernando Frazão/Agência Brasil

A interferência do presidente Jair Bolsonaro na Petrobras, com a indicação de um novo comandante para a estatal, e as declarações no fim de semana de que vai interferir no setor de energia, acenderam um sinal vermelho no mercado financeiro, que deve reagir nesta segunda-feira (22/2).

Ao menos quatro grandes gestoras de investimento — BTG, XP e Eurásia marcaram teleconferência com os clientes nas primeiras horas do dia para discutir sobre a Petrobras. As ações da empresa já desvalorizaram na sexta-feira (19/2) apenas com o anúncio de que Bolsonaro poderia intervir. A troca do comando da estatal, contudo, só foi formalizada quando o mercado brasileiro já estava fechado.

No domingo (21/2), a XP consultou 200 investidores e concluiu que a expectativa é de uma abertura de mercado nesta segunda-feira com reflexos negativos da mudança na empresa. A gestora recomendou aos clientes a venda das ações da Petrobras.

A sondagem da XP também indicou que, para o câmbio, é esperada depreciação de 2% do Real, cerca de 10 centavos, alcançando R$ 5,48. E para o Ibovespa, a expectativa média dos entrevistados é de queda ao redor de 4%, com movimento mais acentuado em Petrobras, Eletrobras e Banco do Brasil.

Para os investidores ouvidos pela XP novas intervenções do governo nas estatais virão daqui para frente. Essa é a percepção de 80% dos entrevistados. Apesar disso, 76% deles esperam a continuidade da atual política fiscal e 41% acreditam que o teto seja respeitado neste ano.

No sábado (20/2), o presidente Jair Bolsonaro disse que “não tem medo de mudar” e que “mudança não é de bagrinho, não, é tubarão”. Ele também prometeu que vai “meter o dedo na energia elétrica, que é outro problema”.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, não se manifestou publicamente sobre a demissão de Castelo Branco da presidência da Petrobras, um nome muito próximo a ele, no contexto que caiu sobre críticas do presidente acerca do aumento do preço dos combustíveis.

As especulações de que Guedes pode ser o novo alvo do presidente pautaram as conversas de bastidores de Brasília no fim de semana, porém o silêncio do ministro, na opinião de economistas, demonstra que ele referendou a troca na estatal e, assim, conseguirá manter o cargo.

Últimas notícias