Itaú passa a prever recessão no país em 2022, com queda de 0,5% no PIB

De acordo com o banco, as últimas notícias sobre os gastos do governo, como o auxílio-diesel, aumentaram o risco de incerteza fiscal

atualizado 25/10/2021 16:45

Michael Melo/Metrópoles

Diante de um cenário de incerteza fiscal no país, o Itaú Unibanco mudou sua previsão sobre o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) no Brasil em 2022. De acordo com um relatório divulgado nesta segunda-feira (25/10), o banco alterou a projeção de alta de 0,5%, para uma queda de 0,5% no ano que vem. A mudança ocorre em razão da expectativa de alta da Selic, a taxa básica de juros no Brasil. Apesar disso, a estimativa para o PIB de 2021 foi mantida em crescimento de 5%.

“Taxas de juros mais altas levarão a uma atividade econômica mais fraca, e agora vemos recuo moderado de 0,5% do PIB em 2022 (nossa projeção era de crescimento de 0,5% anteriormente)”, afirma o relatório.

“Entendemos que o Copom entrará em regime de contenção de danos e aumentará a taxa Selic em 1,5 ponto porcentual, para 7,75% ao ano em sua próxima reunião (nesta quarta-feira, 27), seguido de outro aumento de 1,5 ponto na reunião de dezembro, e encerrará o ciclo com duas altas adicionais de 1,0 ponto porcentual, a 11,25% ao ano”, acrescenta o relatório assinado pelo economista-chefe do Itaú, Mario Mesquita.

Guedes

Ainda de acordo com o banco, as últimas notícias sobre os gastos do governo, como o auxílio-diesel e o novo programa Auxílio Brasil, aumentaram o cenário de incerteza fiscal, indicando que a credibilidade do país com os investidores pode ter sido prejudicada. “Embora a discussão sobre dominância fiscal pareça exagerada no momento, é verdade que, sem uma âncora fiscal crível, a tarefa do Banco Central de manter a inflação na meta se torna mais difícil”, diz.

O Itaú também afirmou que a proposta de emenda constitucional 23/21 (PEC 23/21), que altera retroativamente o mecanismo de reajuste anual do teto de gastos e limita as despesas anuais com precatórios, vai provocar aumento de despesas do governo em até R$ 75 bilhões (0,8% do PIB) sem ultrapassar o teto.

“Consequentemente, esperamos agora que o déficit primário aumente de 0,8% do PIB em 2021 para 1,5% do PIB em 2022 (ante um déficit de 0,7% do PIB no último cenário)”, explicou.

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