Em 10 anos, salário-família subiu menos do que a inflação

Valor da cota por filho em 2020 alcançou R$ 48,62. Em 2010, cifra era R$ 27,64. Alta no período foi de 75%, contra inflação de 76,3%

O salário-família, benefício pago a trabalhadores de baixa renda com filhos de até 14 anos ou inválidos, subiu abaixo da inflação — índice que mede o aumento dos preços de produtos e serviços — nos últimos 10 anos.

O valor da cota por filho do subsídio pago pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em 2020 alcançou R$ 48,62, de acordo com a última atualização da cifra divulgada pela Secretaria Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia.

Em 2010, último ano do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o valor era de R$ 27,64. No período, a alta foi de 75%.

Contudo, a inflação acumulada no mesmo recorte de tempo, segundo a Calculadora do Cidadão do Banco Central, alcança 76,3%. Ou seja, o reforço no benefício não mantém o poder de compra do trabalhador, ainda que por pouco.

No ano passado, para quem recebia até R$ 907,77, a cota por filho era de R$ 46,54 – aumento de 4,46% em relação a 2020. A inflação de 2019 ficou em 4,31%.

Nesta terça-feira (14/01/2020), o Diário Oficial da União (DOU) trouxe as alíquotas dos pagamentos de 2020. A portaria é assinada pelo secretário especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, Rogério Marinho.

“O valor da cota do salário-família por filho ou equiparado de qualquer condição, até 14 anos de idade, ou inválido de qualquer idade, a partir de 1º de janeiro de 2020, é de R$ 48,62 para o segurado com remuneração mensal não superior a R$ 1.425,56”, determina o texto.

Versão oficial
O Metrópoles questionou o Ministério da Economia e o INSS para saber quantas pessoas recebem o subsídio atualmente e quanto o aumento das cotas representa nas contas públicas.

Até a última atualização desta reportagem, nenhum dos órgãos havia respondido. O espaço continua aberto para manifestações.

O benefício
O salário-família é pago ao trabalhador junto ao salário normal. O dinheiro serve para complementar a renda familiar, e é destinado a custear gastos relacionados à alimentação, saúde, moradia e educação.

O INSS mantém uma tabela com os valores do salário-família. O cálculo da faixa máxima é realizado com base na remuneração mensal. Caso o trabalhador receba um valor acima da faixa máxima, ele perde o direito.

Segundo o INSS, o salário-família pode ser solicitado por empregado em atividade, trabalhador avulso em atividade, aposentado de baixa renda, trabalhador que está recebendo o auxílio-doença e trabalhador rural.